03 dez Pesquisa revela o que os jovens esperam do mercado de trabalho
Pesquisa revela o que os jovens esperam do mercado de trabalho
Novas gerações prezam por autonomia e flexibilidade, mas aceitam abrir mão desses pontos por uma boa remuneração.
Uma pesquisa inédita revela que os jovens brasileiros enxergam o mercado de trabalho e o uso da tecnologia com um olhar diferente daquele dos profissionais mais maduros. As novas gerações querem autonomia, propósito, possibilidade de aprender, mas sem abrir mão de uma boa remuneração. Na visão dos entrevistados, é o salário que garante a independência. Já tecnologias, como inteligência artificial (IA), trazem ferramentas para facilitar o trabalho e melhorar a produtividade.
Por uma remuneração adequada, o jovem aceita inclusive abrir mão da flexibilidade do modelo híbrido de trabalho. Na pesquisa, 55% dos entrevistados dizem que não aceitariam ganhar menos para ter uma jornada de trabalho com horários mais flexíveis e mais tempo para atividades pessoais. O modelo híbrido, no entanto, é considerado atrativo para 66%, sobretudo as mulheres.
Metade dos entrevistados afirma que trocaria o emprego se a remuneração fosse baixa. Já 28% consideram o estresse no ambiente de trabalho um motivo para procurar outra colocação. A pesquisa foi encomendada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), com apoio da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ). O trabalho de campo foi conduzido pelo Instituto Nexus, que ouviu 1.958 jovens de 14 a 29 anos em todo o Brasil.
“A pesquisa quebra um estereótipo associado à geração Z: o de ser menos preocupada com estabilidade financeira. Os dados mostram o contrário. Para 41% dos jovens, o salário é o principal fator de decisão profissional, superando benefícios e flexibilidade. O estudo revela que a nova geração não quer apenas acompanhar as transformações do mercado de trabalho, ela quer fazer parte delas”, diz Gustavo Leal, diretor geral do Senai.
A pesquisa quebra um estereótipo associado à geração Z: o de ser menos preocupada com estabilidade financeira. Os dados mostram o contrário. Para 41% dos jovens, o salário é o principal fator de decisão profissional, superando benefícios e flexibilidade
De acordo com a pesquisa, quando escolhem uma vaga, os fatores mais importantes são o salário (41%), as possibilidades de crescimento (21%) e os benefícios complementares (20%). Os dados mostram que a autonomia é valorizada pelo jovem, mas não à custa da estabilidade financeira. “O estresse no ambiente de trabalho é um dos fatores que mais levam os jovens a trocar de emprego. Isso reforça que remuneração não é tudo”, afirma Leal.
Para o diretor do Senai, o equilíbrio para as empresas está em combinar remuneração competitiva com ambientes mais saudáveis, oportunidades reais de crescimento e modelos de trabalho que ofereçam algum grau de autonomia. “O salário atrai, mas os valores retêm. O jovem busca renda para garantir sua independência, mas sua permanência depende de elementos intangíveis como respeito, saúde mental, desenvolvimento e propósito”, diz.
O estudo também mostra que o desejo de evoluir profissionalmente se reflete na relação com a educação: 79% querem continuar estudando e 88% aceitariam participar de cursos técnicos, graduações ou micro certificações gratuitas.
Para Felipe Morgado, superintendente de Educação Profissional e Superior do Senai, o forte interesse dos jovens em continuar estudando representa uma grande oportunidade para as empresas. Isso porque os programas de aprendizagem são hoje uma das estratégias mais eficientes para a reposição de talentos.
“Ao oferecer programas de capacitação e atualização, as empresas conseguem desenvolver profissionais alinhados às necessidades específicas, reduzindo a falta de qualificação, apontada pelos próprios jovens como um dos maiores obstáculos para entrada no mercado”, afirma Morgado.
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