10 jul Petrobras tem funcionária ‘PCD’ escolhida para gerência de inclusão
Petrobras tem funcionária ‘PCD’ escolhida para gerência de inclusão
Estatal promoveu processo seletivo com 160 candidatos de grupos sub-representados para definir a líder da área de diversidade.
A Petrobras realizou um processo seletivo com 160 candidatos de grupos sub-representados para escolher a primeira gerente de diversidade, equidade e inclusão da companhia. A área começou a ser estruturada em maio deste ano e a escolhida para o cargo foi Thais Pessanha, uma funcionária de carreira com 20 anos de casa. Portadora da osteogênese imperfeita congênita, uma doença genética rara conhecida como “doença dos ossos de vidro”, Pessanha já passou por diferentes cargos na estatal.
A decisão de criar a nova área veio no mês seguinte ao surgimento de denúncias de casos de assédio nas unidades da companhia. Em abril, a Petrobras anunciou a criação de um grupo de trabalho para rever os procedimentos internos de atendimento a casos de assédio sexual. O grupo de trabalho, ligado diretamente à diretoria-executiva, tomou medidas como reduzir o prazo de resposta aos casos de 180 para 60 dias e criou canais de atendimento a denúncias e de acolhimento a vítimas.
Carolina Rocha é gerente de cultura, clima organizacional e diversidade na estatal. Depois de participar do grupo de trabalho, ela foi a responsável por montar a nova gerência de diversidade. Rocha diz que a companhia tem diversas ações que envolvem equidade de gênero e raça desde 2005 e que essas discussões vêm avançando na companhia conforme evolui na sociedade como um todo. “A Petrobras tem 17% do efetivo composto por mulheres. Nós ainda somos minoria. Mas olhando para a sociedade e o machismo cultural, é um esforço que não vem de hoje dentro da companhia. Estamos em um esforço para fazer um trabalho assertivo. Depois dos episódios [de assédio] que saíram na imprensa, que a companhia já estava acompanhando, as pessoas culpadas foram demitidas e a empresa viu o que pode melhorar no processo.”
Rocha citou entre as mudanças promovidas pela Petrobras, depois da divulgação de casos de assédio, a antecipação de etapas de análise, a centralização da apuração de denúncias e a possibilidade de a vítima indicar um representante para responder às questões levantadas: “Aconteceram vezes de mandarmos e-mails e a pessoa não responder, por exemplo. Agora ela pode indicar um advogado ou alguém de confiança.”
A Petrobras tem ações afirmativas nos concursos para aumentar a presença de pessoas com deficiência (PCDs) na companhia. A estatal reserva 8% das vagas de cada concurso para PCDs, além do mínimo exigido pela legislação para o porte da petroleira, que seria de 5%.
Thais Pessanha explica que sua nova gerência tem como objetivo dar continuidade aos trabalhos de inclusão já feitos na Petrobras: “Está dentro dos nossos compromissos promover um ambiente de trabalho melhor.”
A nova área liderada por Pessanha começou a atuar em junho. Ela conta que seu foco será promover ações afirmativas que vão além da estratégia. “Lançamos recentemente a cartilha de diversidade sexual, por exemplo. Dentro do conceito de preparar a Petrobras para o futuro, dar atenção às pessoas é um dos direcionadores estratégicos da companhia. Faremos outras ações nesse sentido, mas não só por força estratégica. Vamos promover mais treinamentos, trabalhos de conscientização e guias construtivos.”
Pessanha tem uma condição rara que ainda não tem cura. A deficiência que ela porta afeta a parte musculoesquelética e faz com que seus ossos sejam mais frágeis, e por isso é conhecida popularmente como “ossos de vidro” ou “ossos de cristal”. “Os ossos podem se quebrar até mesmo em um movimento de espirro”, explica.
Devido à condição, a funcionária trabalha em regime totalmente remoto, uma possibilidade recente na petroleira. Carolina Rocha explicou que, depois da pandemia, a Petrobras enxergou que era possível equilibrar o trabalho de home office com o presencial e dar a oportunidade de trabalhar de forma totalmente remota aos funcionários que têm necessidades especiais. “Essa medida vai ser reavaliada pela diretoria-executiva em dezembro, mas já estamos vendo que é possível manter. O modelo na Petrobras hoje é híbrido, mas vimos que para pessoas com deficiência, por exemplo, pode existir a dificuldade de mobilidade. A Thais assume a liderança dessa área trabalhando de forma totalmente remota. É uma mudança na cultura”, explica Rocha.
Para a nova gerente de diversidade, a Petrobras está alinhada com o empenho de promover melhor a equidade na companhia: “Vamos conciliar as demandas dos negócios com as necessidades dos empregados.”
Sorry, the comment form is closed at this time.