12 jan Piratini debate piso regional com as centrais sindicais
Piratini debate piso regional com as centrais sindicais
Trabalhadores querem 10,45% de reajuste;
empresários se ausentaram
Os Secretários do Trabalho e Desenvolvimento
Social, Ayres Apolinário (PSB), de Desenvolvimento Econômico, Ciência e
Tecnologia, Fábio Branco (PMDB), e de Planejamento e Desenvolvimento Regional,
José Oltramari, esperavam receber tanto representantes das entidades patronais
quanto das centrais sindicais, ontem à tarde, para começar as negociações do
índice de reajuste do salário-mínimo regional. Entretanto, os empresários não
compareceram.
Os três titulares – que compõem a comissão
designada pelo governador José Ivo Sartori (PMDB) para intermediar as
discussões – devem se reunir com as lideranças do empresariado na semana que
vem. O presidente da Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Rio
Grande do Sul (Fecomércio), Luiz Carlos Bohn, justificou a ausência dos
empresários na reunião de ontem, argumentando que propuseram outro método, com
encontros separados entre o governo e cada uma das partes.
“Acreditamos que o método utilizado no ano
passado, reunindo os empresários e sindicalistas na mesma mesa, se mostrou
ineficiente e demorado. Por isso, sugerimos que apresentemos nossa proposta aos
secretários, eles (trabalhadores) apresentam a deles, e o governo arbitra no
final”, propôs Bohn.
De qualquer forma, no encontro de ontem, na
sede da Secretaria do Trabalho, as centrais sindicais apresentaram sua proposta
de reposição. Na mesa de negociações, o presidente da Central dos trabalhadores
e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Guiomar Vidor, defendeu um reajuste de 10,45%
para 2017.
Ele sustentou que a atual proposta foi baseada
no percentual concedido em 2016.
No ano passado, depois de não chegar a um
consenso nas mediações entre as partes, o governo concedeu 9,61% de reajuste –
abaixo da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor),
que acumulou 11,38% (de janeiro a dezembro de 2015). Na ocasião, as centrais
sindicais pediam a reposição da inflação, enquanto os empresários defendiam
reajuste zero.
“Em
2016, o índice apresentado pelo governo foi uma média ponderada de todos os acordos
coletivos feitos em 2015. Neste ano, seguimos o mesmo critério: o Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calculou
a média ponderada dos acordos coletivos de 2016, que deu 8,8%. Estamos pedindo
esse valor mais os 1,52% referente ao índice que faltou para completar a
inflação do ano passado”, explicou Vidor.
Segundo o interino da pasta do Trabalho – que
assumiu a vaga do ex-secretário Catarina Paladini (PSB), depois que Catarina
reassumiu a cadeira no Parlamento do Correligionário Miki Breier, eleito prefeito
de Cachoeirinha -, “a intenção do governo é tentar um consenso entre as duas
partes”.
Entretanto deve ser difícil chegar a um acordo,
porque, como garantiu Bohn, “as entidades ainda não têm uma proposta fechada,
mas o que sabemos é que não poderemos conceder o INPC”. O índice que mede a
inflação acumulou 7,38% nos últimos 12 meses.
“Não havendo acordo, vamos nos manifestar
depois de analisar os dados apresentados por empresários e trabalhadores.
Queremos apresentar um índice ao governador até o final de janeiro, para que
ele envie para a Assembléia Legislativa”, disse Apolinário.
O salário-mínimo regional, criado em 2000,
durante o governo de Olívio Dutra (PT, 1999 – 2002), comtempla cinco faixas
salariais, que atualmente variam de R$ 1.103,66 a R$ 1.398,65.
Jornal
do Comércio
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