Plenário do Senado aprova urgência para votar projeto que prorroga desoneração da folha

Plenário do Senado aprova urgência para votar projeto que prorroga desoneração da folha

Publicado em 25 de outubro de 2023

Apelo por celeridade feito pelas empresas foi aceito pelos senadores; iniciativa significou derrota para o governo, que tentou desacelerar tramitação.

O Senado votará nesta quarta-feira (25) o projeto de lei (PL) que prorroga até 31 de dezembro de 2027 a desoneração da folha de salários dos 17 setores que mais empregam no país. Após ser aprovado na véspera pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o plenário da Casa aprovou o regime de urgência para a apreciação da matéria ainda nesta semana, atendendo a um pleito das empresas por maior celeridade na tramitação. A iniciativa impôs uma derrota ao governo, que tentava protelar a deliberação, mas acabou isolado.

O texto aprovado na CAE, de relatoria do senador Angelo Coronel (PSD-BA), suprimiu as alterações feitas pela Câmara dos Deputados e retomou o parecer inicial do Senado, onde o projeto começou a tramitar. A proposta possibilita que as empresas dos setores contemplados paguem uma alíquota de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20% sobre salários.

A medida também afeta as contas de governos locais. Pelo projeto, municípios com a população inferior a 142,6 mil habitantes teriam a alíquota da contribuição previdenciária sobre a folha reduzida de 20% para 8%. Os senadores rejeitaram a proposta dos deputados que estendia esse benefício a todas as cidades do país.

Entre os setores afetados pelo texto estão as indústrias têxtil, de calçados, máquinas e equipamentos e proteína animal, construção civil, comunicação e transporte rodoviário, que têm uso intensivo de mão de obra.

Líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) defendeu o adiamento da proposta para outro momento: “Não é isso que gera emprego. Se a economia não crescer, com ou sem desoneração, não haverá geração de emprego.”

Presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) rebateu Wagner e disse que a não aprovação da matéria iria causar uma onda de desemprego: “A afirmação que faço em relação à importância da desoneração para geração de empregos, talvez não seja uma certeza. A certeza está no fato de que a reoneração vai gerar desemprego. Isso para mim é muito claro.”

Apesar da resistência do Planalto, a matéria conta com apoio de senadores da base aliada do governo no Senado, como PSD, MDB e União Brasil, além da oposição.

Embora os senadores tenham rejeitado as alterações ao texto propostas na Câmara, ao menos um ponto sugerido pelos deputados pode voltar a ser debatido: a redução da tributação de empresas de transporte rodoviário coletivo de passageiros. A proposta reduz para 1% a alíquota de contribuição previdenciária paga pelas companhias do setor, e mantém em 2% para o transporte de cargas.

Na sessão da CAE, Coronel chegou a acatar uma sugestão do senador Ciro Nogueira (PP-PI) para que a proposta fosse incluída no parecer, mas voltou atrás após Jaques Wagner sinalizar que faria um novo pedido de vista (mais tempo para análise) para protelar a apreciação, já que haveria uma alteração no relatório. Ao Valor, Coronel afirmou que a proposta deve ter apoio no plenário nesta quarta.

 “No texto original [do Senado], estava misturando transporte de gente e transporte de carga. Acredito que será aprovado. Esse desmembramento é muito pertinente e deverá ser aprovado”, afirmou o relator.

Segundo Chede Suaiden, sócio do escritório Bichara Advogados, a avaliação de alguns membros do governo de que a prorrogação é inconstitucional em virtude do texto da PEC da reforma da Previdência está equivocada.

“O artigo 30 da Emenda Constitucional 103 é taxativo ao estabelecer que os regimes de substituição da folha instituídos antes da entrada em vigor da referida Emenda permanecem incólumes”, explicou. “Dessa forma, a possível renovação da desoneração não apenas está alinhada com a legislação vigente, mas também não contraria, em hipótese alguma, as disposições introduzidas pela reforma da Previdência”, complementou Suaiden.

O advogado Rodrigo Nunes, sócio trabalhista de Cascione Advogado, diz que a desoneração estimula o setor produtivo e é essencial. “A desoneração fomenta a criação de vagas, atrai investimentos e promove o aumento da produção. Alimenta o ciclo virtuoso. Não há contraindicação, mas será necessário repor a receita de maneira inteligente de forma a não agravar o déficit da Previdência.”

Fonte: Valor Econômico
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