01 nov Pnad mostra desemprego no nível mais baixo desde 2014
Pnad mostra desemprego no nível mais baixo desde 2014
Criação de vagas formais leva taxa para 7,7% no terceiro trimestre, a segunda menor na série histórica do indicador do IBGE.
O mercado de trabalho deu mais uma mostra do bom momento que vive e quebrou marcas históricas ou não vistas há quase dez anos no terceiro trimestre. Puxado pela geração de emprego formal, esse movimento deve se manter ao menos até o fim de 2023, avaliam economistas.
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), a taxa de desocupação caiu para 7,7% no terceiro trimestre, ante 8,0% no segundo trimestre. Este é o menor nível para o período desde 2014, quando foi de 6,9%, a menor da série histórica da pesquisa. O resultado veio em linha com a mediana das estimativas colhidas pelo Valor Data, que variou entre 7,6% e 7,9%.
O total de trabalhadores ocupados cresceu 0,9% e atingiu novo recorde da série histórica da pesquisa, de 99,8 milhões. Já o número de desempregados caiu 3,8%, para 8,316 milhões de pessoas, o menor contingente desde o trimestre encerrado em maio de 2015.
A massa de rendimentos atingiu recorde de R$ 292,95 bilhões, enquanto a renda média cresceu 1,7%, para R$ 2.982, o maior nível desde o trimestre encerrado em fevereiro de 2021.
Das 929 mil vagas geradas no período, 630 mil (67,8%) vieram do setor formal. O número de trabalhadores do setor privado com carteira de trabalho assinada teve alta de 1,6% no terceiro trimestre, ante trimestre anterior – bem acima da média de 0,9%, destaca a coordenadora da pesquisa, Adriana Beringuy.
“População por conta própria tem movimentos mais discretos agora”
“Um fato interessante é a permanência do emprego com carteira assinada. Houve um boom em 2022, mas não foi cessado. O crescimento continua, embora em percentuais mais discretos”, diz.
Já o total de trabalhadores por conta própria avançou 1% (257 mil pessoas a mais) no terceiro trimestre, para 25,48 milhões de pessoas – variação classificada como estabilidade pelo IBGE. “A população por conta própria tem movimentos um pouco mais discretos agora, diferentemente do que se viu no processo de recuperação do mercado nos primeiros trimestres de 2022”, afirma ela.
Para Matheus Pizzani, economista da CM Capital, a queda da desocupação em setembro é sinal de um movimento de retomada da economia brasileira em setembro, após setores como serviços e comércio postarem resultado negativo em agosto.
“Conjunturalmente, vale destacar que o aumento foi da população ocupada, não de subutilizados e subocupados, e também que a maioria foi absorvida pelo mercado formal, que têm salário médio superior na comparação com informais”, acrescenta.
O economista também nota que o resultado vem em linha com sinais de retomada da economia após resultados setoriais negativos levarem o IBC-Br – o indicador conhecido como prévia do PIB do Banco Central – apontar queda de 0,77% em agosto. “Tanto dados da Pnad como do Caged mostram retomada dos serviços, em especial, do grupo Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas. É o setor da economia que mais emprega, e projetamos alta de 1,2% mês passado para ele.”
Outro destaque, neste sentido, vem da indústria, que liderou a alta do rendimento real habitual entre setores com crescimento de 5,3% ante o trimestre anterior. A CM Capital vê alta de 0,9% do segmento em setembro.
Apesar do mercado aquecido, a dinâmica dos rendimentos segue sem apontar pressões significativas, ressalta o economista Igor Cadilhac, do PicPay. Em sua avaliação, alguns fatores podem explicar a situação, como mudanças na estrutura de preferências da população após a pandemia – com mais trabalhadores dispostos a trocar aumento salarial por maior qualidade de vida, com um trabalho híbrido ou remoto – ou ainda efeitos da reforma trabalhista.
Já Lucas Assis, economista da Tendências, destaca que o período de festas de fim de ano traz um efeito sazonal positivo para a taxa de desocupação.
Assim, uma reversão desse movimento deve ocorrer apenas em 2024, diz. “O mercado de trabalho responde com defasagem ao ritmo de atividade da economia. Esperamos que isso ocorra ao longo do ano que vem, em especial para o segmento formal.”
A Tendências projeta desocupação média de 7,9% no ano e de 7,3% no trimestre encerrado em dezembro. Já no primeiro trimestre de 2024, deve pular para 8,1%, influenciada por questões sazonais.
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