28 abr Políticas de contratação inclusiva são eficientes
Políticas de contratação inclusiva são eficientes
Pesquisas revelam vantagens de conduta mais diversa, mas apenas uma minoria adota políticas nessa direção.
Colaboradores de empresas que valorizam a diversidade desempenham melhor suas funções, têm maior rendimento, se envolvem menos em conflitos e apresentam índice de turnover menor. As empresas, por sua vez, têm mais chances de obter rendimentos acima da média do setor e ganham pontos na imagem. As vantagens de uma conduta mais diversa e inclusiva aparecem em pesquisas de instituições nacionais e internacionais. Ainda assim, apenas uma minoria adota políticas nesse sentido.
“A adoção de ações diversas e inclusivas é também uma forma de fortalecer a marca no mercado. Acreditar e investir em diversidade e inclusão não é só um imperativo ético, mas também uma estratégia de negócio, que traz valor e resultado”, afirma Glaucimar Peticov, diretora executiva do Bradesco. “Quando se soma a diversidade a um ambiente inclusivo o resultado é criatividade e inovação”, reforça.
O Bradesco tem uma série de iniciativas que reforçam sua política de diversidade e respeito, como atuar no movimento Aliança Sem Estereótipo, que visa conscientizar sobre a importância de eliminar os estereótipos nas campanhas publicitárias. Peticov cita o destaque dado à campanha “Novas Respostas da Bia Contra o Assédio”, iniciativa inspirada pelo movimento da Unesco “Hey, Update my Voice”. (Hey, atualize minha voz”, em tradução livre). O propósito é combater o assédio cibernético sofrido pelas assistentes virtuais.
“Empresa de proporções superlativas, cada iniciativa do Bradesco tem o poder de inspirar e multiplicar seu impacto”, diz Peticov. O banco finalizou 2021 com 87.274 funcionários. Desses, 51% são mulheres, 27,3% são negros e 5% são profissionais com deficiência.
Ligia Pinto, diretora de relações governamentais do grupo Mulheres do Brasil, observa que “a maioria das empresas ainda está em um estágio inicial de compreensão do desafio que precisarão enfrentar para cultivar uma cultura inclusiva”. “São poucas as que já se sentem maduras para assumir publicamente compromissos efetivos, como ações afirmativas na contratação e promoção de talentos e regulação da cadeia de valor a partir de critérios relacionados com a pauta da diversidade”, afirma.
Para Kaká Rodrigues, especialista em diversidade e cofundadora da consultoria Div.A – Diversidade Agora, não é de um dia para outro que as empresas e seus colaboradores vão se livrar dos preconceitos. “Há uma resistência por parte delas, embora os consumidores, investidores e sócios pressionem cada vez mais nessa direção”, diz.
Há uma tendência de se repassar a incumbência para a área de recursos humanos, que se encarregaria de contratações menos desiguais no momento de seleção. “No entanto, a mudança para uma cultura inclusiva não começa na contratação. Ela deve começar na preparação do ambiente para acolher a diversidade”, observa.
A ADM tem 38 mil colaboradores. “Essa natureza por si só já nos confere um ambiente de diversidade”, diz Antonio Paixão, gerente sênior de aquisição e talento para a América Latina. Entre as ações de diversidade no Brasil, um programa é o “Indique um Amigo”, com foco em mulheres, afrodescendentes e pessoas com deficiência. Outra é o programa estagiário inclusivo, com foco em vagas afirmativas para estudantes autodenominados negros, pretos ou pardos. Em maio de 2021, as estagiárias afrodescendentes eram 30% do grupo, hoje são 60%.
A meta é chegar a 2030 com 50% de mulheres no seu total de colaboradores. Nas posições operacionais, elas eram 15% em janeiro de 2021; em março passado, já eram 18%. Nos cargos de liderança, supervisão, coordenação e acima, as mulheres passaram de 24% a 26%, em pouco mais de um ano.
O Carrefour Brasil lista uma série de iniciativas que valorizam diversidade dentro e fora de seu espaço de trabalho. Entre elas, as semanas e dias D, reservados a contratações exclusivas para grupos minorizados. Atualmente, 50,1% dos colaboradores do grupo são mulheres e 38,2% das posições de liderança são ocupadas por elas. A meta global é ter 40% das posições-chave ocupadas por mulheres, em todos os países, até 2025. Entre os funcionários, 60,7% dos colaboradores gerais e 54% da liderança se autodeclaram pretos ou pardos. “Para nós, a importância da diversidade e da inclusão é tão essencial e estratégica que desenvolvemos programas específicos para quatro temas prioritários: diversidade de gênero, racial, sexual e inclusão de pessoas com deficiência”, diz Cátia Porto, vice-presidente de recursos humanos do Carrefour Brasil.
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