Por que liberar o FGTS para pagar dívidas gera tantas críticas

Por que liberar o FGTS para pagar dívidas gera tantas críticas

Publicado em 28 de abril de 2026

O Ministério da Fazenda incluirá a medida em pacote para reduzir o endividamento da população.

Gera críticas o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pelo governo federal em mais um programa para combater o endividamento e a inadimplência da população. Do ponto de vista de finanças pessoais, o apontamento é que liberar o dinheiro não resolve o problema estrutural, que é crédito fácil demais, juro alto e descontrole financeiro. Além disso, ainda que o saque seja limitado, mexe na “poupança” forçada do trabalhador, que ele usa quando fica desempregado ou em casos ainda mais graves.

Do ponto de vista de mercado, há reclamações dos setores que são financiados pelos recursos do FGTS: habitação, saneamento e infraestrutura. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), R$ 10 bilhões do fundo viabilizam 65 mil moradias populares.

Apesar disso, tudo se encaminha para que o FGTS seja mesmo usado. Nesta segunda-feira (27), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou essa intenção ao falar que o pacote do governo, chamado Desenrola 2.0, está para sair nos próximos dias.

— A limitação que vai ter para garantia do próprio fundo é um percentual do saque. Então é um saque limitado dentro do programa, vinculado ao pagamento das dívidas do programa, mas não necessariamente sendo maior do que a dívida — explicou Durigan.

Endividamento, inadimplência e comprometimento da renda com dívidas estão batendo recordes, como o Banco Central confirmou nos dados desta semana. Nesta toada, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgará nesta terça-feira (28) o impacto das bets nisso. O varejo tem sentido perda da renda das famílias para as apostas esportivas. Outra preocupação fortíssima tem sido com o consignado CLT, cujos juros saíram do controle.

Fonte: Giane Guerra
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