09 mar ‘Por que o salário é tão diferente entre homens e mulheres?’
‘Por que o salário é tão diferente entre homens e mulheres?’
Professora e pesquisadora Lorena Hakak lembra que mulheres têm mais anos de escolaridade, mas menor participação na força de trabalho.
“Nos últimos 50 anos, a participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou, mas ainda falta muito para haver o que [Jair] Bolsonaro chama de ‘praticamente integradas.’”
A frase é da professora visitante de economia da Universidade Federal do ABC (UFABC), Lorena Hakak, pesquisadora e coordenadora da Sociedade Brasileira de Economia da Família e do Gênero (GeFam).
Ao comentar ao Valor as declarações feitas pela presidente ontem, durante um discurso para marcar o Dia Internacional da Mulher, Lorena lembrou de alguns dados da desigualdade que perdura entre mulheres e homens. “Por que o salário é tão diferente entre homens e mulheres? Por que mulheres têm tanta dificuldade em dividir o trabalho no domicílio com maridos e companheiros? Há uma série de questões ainda importantes. Então ‘praticamente integradas’ é muito relativo”, disse Lorena.
Ela lembra que as mulheres fazem de quatro a cinco vezes mais afazeres domésticos e cuidado com os filhos do que os homens, dedicando-se cerca de 21 horas semanais a isso. A pesquisadora também aponta que as mulheres têm mais anos de escolaridade do que os homens, mas têm menor participação na força de trabalho e recebem menos.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad) Contínua mostram que no quarto trimestre de 2020 no grupo de mulheres entre 18 e 60 anos, 62% faziam parte da força de trabalho. Esse percentual caía para 58% no grupo de mulheres casadas e subia para 66% no grupo de mães que vivem sozinhas com os filhos. No caso dos homens entre 18 e 60 anos, 82% eram parte da força de trabalho no fim de 2020. Sendo que, dentre os homens casados, esse percentual subia para 87%. Dados da Pnad Contínua mostram que em 2020 um brasileiro recebia em média R$ 2.608 por mês, e uma brasileira, R$ 2.037,00 mensais.
Ontem, Alicia Bárcena, secretária-Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), usou a data para fazer um chamado por mais igualdade.
“Os nós estruturais da desigualdade de gênero continuam presentes e se expressam na distribuição desigual do poder, dos recursos, da riqueza, do trabalho e do tempo entre mulheres e homens, bem como na persistência do patriarcado e da cultura do privilégio.”
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