01 set Precariedade e salários baixos reduzem desemprego no 2º tri
Precariedade e salários baixos reduzem desemprego no 2º tri
Taxa recua de 14,7% para 14,1%, mas segue mais alta que em 2020; país tem 14,4 milhões sem ocupação.

Puxado por ocupações precárias com rendimentos mais baixos, o desemprego caiu no segundo trimestre deste ano, na comparação com o primeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de desocupação atingiu 14,1% no período, menor que os 14,7% de janeiro a março. Mas foi superior à do mesmo período do ano passado, de 13,3%. Ainda são 14,4 milhões de desempregados no país.
O rendimento médio dos trabalhadores caiu 3% em termos reais, comparado ao primeiro trimestre, e recuou 6,6% sobre o mesmo período em 2020.
“Temos mais trabalhadores, mas com renda mais baixa”, disse Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE. “A retomada do trabalho informal para o crescimento da população ocupada é decisiva, mas são atividades em que os rendimentos são muito menores.” A inflação também afetou a renda, segundo economistas.
O relaxamento das restrições à mobilidade ajudou a ampliar a população ocupada em todos os setores, em especial nos serviços. O número de pessoas trabalhando no segmento de alojamento e alimentação cresceu 9,1%, sobre o primeiro trimestre, a maior alta entre as atividades pesquisadas. Trabalho doméstico (alta de 4%), transporte e correios (3,7%), comunicação, atividades financeiras (2,1%) completam a lista. Houve alta também na construção (5,7%).
Segundo a Pnad, o trabalho por conta própria informal, sem CNPJ, cresceu 1,1 milhão no segundo trimestre sobre o primeiro, enquanto o emprego doméstico sem carteira adicionou 205 mil pessoas. Outras 332 mil foram trabalhar no setor privado, mas sem registro.
Segundo o IBGE, 40% dos trabalhadores do país estão na informalidade. Mesmo assim, o estoque de empregados com carteira aumentou 618 mil no período, número que há tempos não se via na Pnad.
O aumento do trabalho informal se reflete no número de pessoas que trabalham menos do que gostariam, que bateu o recorde de 7,5 milhões no segundo trimestre. A subocupação é maior entre os trabalhadores por conta própria, que representam 46% do total. Das 2,141 milhões de pessoas que conseguiram ocupação no segundo trimestre, 23,8% (511 mil) trabalhavam menos que o desejado.
Esse grupo faz parte do que especialistas chamam de “mão de obra desperdiçada”, que também inclui desempregados e quem gostaria de trabalhar, mas por algum motivo não buscou emprego. São 32,2 milhões de pessoas, quase um terço da força de trabalho.
No segundo trimestre, a ocupação cresceu (2,1 milhão de vagas) mais que o suficiente para absorver o aumento da força de trabalho (1,78 milhão de pessoas). Mas o número de ocupados ainda segue abaixo do pré-pandemia e deve se recuperar só no fim de 2022, estima Rodolfo Margato, da XP. Para ele, o mercado de trabalho deve continuar em recuperação lenta.
Segundo ele, enquanto a diminuição das restrições à mobilidade e a consequente retomada dos serviços prestados às famílias jogam a favor, a inflação, com destaque para os custos industriais, e a crise hídrica podem deixar a retomada do emprego mais errática. A XP estima taxa de desemprego média de 13,9% neste ano.
Helcio Takeda, diretor de pesquisa econômica da Pezco Economics, avalia que a capacidade de o mercado absorver quem sair em busca de trabalho é limitada e, assim, a taxa de desemprego deve seguir alta. A casa estima taxa média de desemprego de 14,5% em 2021. “Nossa premissa é que a capacidade de absorção dessa massa de pessoas vai ser limitada. Estamos incorporando os desafios [à atividade] da questão energética e ausência de drivers importantes para sustentar o crescimento [da ocupação]”, afirma.
Espera-se que o avanço da vacinação e o aumento da mobilidade incentive mais pessoas a voltar a buscar uma ocupação. A taxa de participação – proporção de pessoas em idade ativa que estão no mercado – cresceu para 57,7% no segundo trimestre. Antes da pandemia era próxima de 62%. A expectativa é que essa taxa cresça.
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