Precisamos de mais tempo

Precisamos de mais tempo

Publicado em 5 de maio de 2026
Por Adriana Maia Mello

A forma e a velocidade como o governo quer levar adiante o projeto de lei que trata do fim da escala 6×1 trazem muita preocupação a toda a economia. Não é diferente com o setor de asseio e conservação. Nosso Sindicato, hoje, representa mais de três mil empresas gaúchas prestadoras de serviços de portaria, higiene, limpeza e conservação e emprega mais de 70 mil pessoas.

Não só aqui no Rio Grande do Sul, mas no País todo, somos um dos maiores empregadores, inclusive oportunizando colocação profissional a pessoas de baixa escolaridade, em serviços essenciais para toda a sociedade. Higiene e limpeza são questões de saúde pública!

Quando o Estado propõe mudanças na jornada de trabalho, sem um debate aprofundado e uma análise sobre como funcionam as relações de negócios, corremos o risco de comprometer o equilíbrio econômico-financeiro, perder competitividade e até inviabilizar operações.

O raciocínio é simples. Mudar a jornada vai exigir contratar mais pessoas, algo que já é difícil face à escassez de mão de obra. Contratando mais, naturalmente aumentam os custos das empresas (folha de pagamento, encargos trabalhistas, encargos operacionais, entre outros), sem que se tenha espaço para repassar esses aumentos aos contratantes. Nossos contratos só permitem alterações e correções a cada 12 ou 24 meses. Ou seja, não tem como reajustar valores a toda hora! E a conta não fecha.

Entendemos como legítima a reivindicação dos trabalhadores de reduzir a jornada sem alteração de salário. O ponto é saber como fazer isso, mantendo os postos de trabalho e as empresas economicamente sustentáveis. A economia não é linear. As empresas e os segmentos econômicos não são lineares. O nosso, por exemplo, atende desde escritórios até hospitais e supermercados. Ambientes completamente distintos, com exigências também distintas.

Por isso tudo, entendemos que é necessário mais tempo para debater essa proposta, sem paixão política e eleitoral. Ao mesmo tempo, propomos alguns caminhos que consideramos fundamentais: implantação gradual de qualquer mudança de jornada; flexibilização por setor; fortalecimento da negociação coletiva como instrumento de ajuste; previsão e reequilíbrio nos contratos públicos e privados; construção de modelos híbridos, que conciliem a eficiência da prestação do serviço e a proteção ao trabalhador.

Tudo isso exige diálogo. Por isso precisamos de mais tempo.

Presidente do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Rio Grande do Sul (Sindasseio RS)

Fonte: Jornal do Comércio
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