03 ago Produtividade é agenda de governo, diz Zeina Latif
Produtividade é agenda de governo, diz Zeina Latif
Bruno Bianco nega que recuperação do mercado de trabalho esteja mais lenta que a retomada do mercado de trabalho.
Os debates para aumentar a produtividade brasileira deveriam ser uma agenda de governo, e não só de um ministério isolado, afirmou a consultora econômica Zeina Latif. Ela considerou que, embora a educação básica seja de responsabilidade direta de Estados e municípios, a omissão do governo federal durante a crise gerada pela pandemia foi “inaceitável”.
“Não adianta o Ministério da Economia fazer políticas públicas que não vão dar conta do abismo que o país está na situação educacional. Essa questão de capital humano, não há dúvida que a raiz do problema é muito mais profunda”, afirmou Zeina durante o evento “E agora Brasil? Os desafios para a retomada do emprego pós pandemia”, promovido pelo Valor e pelo jornal “O Globo”.
A economista ponderou que há hoje experiências exitosas de educação no país, mas o governo federal não estimula a disseminação de boas práticas pelo país e nem avança em iniciativas gestadas em governo anteriores.
Bruno Bianco, secretário-executivo do Ministério do Trabalho e Emprego, discordou da avaliação de que a retomada do emprego esteja em ritmo inferior ao da atividade. O mercado de trabalho tem voltado rapidamente e gera empregos de maneira significativa, disse. Ele citou que em junho foram criadas cerca de 300 mil vagas formais, chegando a um acumulado de 1,5 milhão de vagas no ano.
Para Zeina Latif, a taxa natural de desemprego do Brasil deve estar hoje em uma patamar mais elevado após a pandemia. O mercado de trabalho tem hoje duas pontas muito distintas, notou: falta mão-de-obra qualificada, mas há um contingente elevados de pessoas que não conseguem ocupação.
Já o presidente global da BRF, Lorival Luz, defendeu que é preciso criar condições para as empresas poderem investir mais, gerando mais empregos, com aumento de arrecadação.
Segundo o executivo, “é preciso criar condições para que as companhias invistam mais, e com isso se abra mais mercados para se exportar mais e para gerar mais empregos”, de maneira a evitar que se dependa de câmbio para a indústria brasileira ser competitiva.
O vice-presidente de operações do Magazine Luiza, Fabrício Garcia, disse que o e-commerce gera empregos, ao contrário da percepção geral, e o que há é migração de certos postos em lojas físicas para estruturas logísticas das redes.
“Nós temos 103 bases logísticas [entre centrais de distribuição, ‘minihubs’ em lojas, depósitos] e eram menos de 30 há dois anos, então isso cresceu e gera empregos. Neste ano, teremos três mais CDs e vamos para 21 depósitos. O que há é uma transferência, você não gera vaga de vendedor mas cria de operador logístico”, disse.
Bianco defendeu a formalização do trabalho fora da CLT. Para o secretário, a Consolidação das Leis Trabalhistas não dá conta de novas formas de trabalhos criadas pelo avanço da tecnologia, caso dos serviços por aplicativos.
Segundo ele, o governo quer dar oportunidade da proteção trabalhista e previdenciária sem criar burocracia e custos que inviabilizem a tecnologia. A meta é formalizar o maior número possível de trabalhadores, mesmo fora da CLT.
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