Profissionais com menos de 30 anos priorizam mais a flexibilidade do que o salário

Profissionais com menos de 30 anos priorizam mais a flexibilidade do que o salário

Publicado em 11 de novembro de 2025

Estudo com 11,2 mil trabalhadores de 15 países aponta que, ao procurarem emprego, 44% dos profissionais da geração Z observam os horários de trabalho antes da remuneração (35%).

Na hora de escolher um emprego, a maioria ou 44% dos jovens profissionais brasileiros da geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) valorizam a flexibilidade nos horários de trabalho, o crescimento pessoal (37%) e um salário adequado (35%). Além disso, estão de olho na escalada corporativa: 75% querem gerenciar a própria equipe no futuro.

A conclusão é de uma pesquisa realizada pela Randstad, de soluções de recursos humanos, com 11.250 trabalhadores de 15 países, sendo 750 brasileiros. O levantamento, obtido com exclusividade pelo Valor, combina a coleta de dados com a análise de 126 milhões de anúncios de emprego, em todo o mundo.

“Os resultados mostram que os jovens buscam mais do que remuneração”, analisa Wladimir Parada, talent solutions director da Randstad Brasil. “Querem propósito, aprendizado e qualidade de vida.”

Um recorte do estudo que chama a atenção do especialista é a alta rotatividade nesse grupo de profissionais. Os “Z” permanecem, em média, 1,1 ano em cada cargo, contra 1,8 dos millennials (1981-1996) e ante quase três anos das gerações anteriores, aponta o relatório.

“Isso revela uma impaciência natural dessa geração, que busca rapidamente novas experiências e não aceita ambientes de trabalho não saudáveis ou com poucas oportunidades de crescimento”, diz o especialista, acrescentando que 22% trocaram de emprego no último ano e 54% estão em busca de uma nova colocação “ativamente”.

Diante do cenário revelado pelo mapeamento, a recomendação do consultor é que os empregadores invistam em quatro pilares para atrair e reter a geração Z:

  1. Flexibilidade real, com modelos de trabalho que consideram a autonomia de horários e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
  2. Planos de progressão claros, com transparência sobre crescimento e recompensas tangíveis, o que inclui promoções, aumentos salariais e novos desafios;
  3. Programas de capacitação e requalificação, especialmente em tecnologia e inteligência artificial (IA), conectando o aprendizado ao progresso na carreira;
  4. Cultura organizacional saudável, englobando ações de diversidade, inclusão e apoio ao bem-estar mental.

“A Geração Z traz não só demandas, mas oportunidades para as empresas que desejam inovar”, acrescenta Parada. “A pesquisa mostra que 75% dos jovens, no mundo, já utilizam a IA para se requalificar, enquanto no Brasil esse número é ainda mais expressivo – 84% afirmam aprender com a ajuda da IA ‘às vezes’ ou ‘com certa frequência’. Além disso, 79% estão entusiasmados com o potencial da tecnologia no dia a dia.”

Fonte: Valor Econômico
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