Profissionais de RH também sofrem com sobrecarga

Profissionais de RH também sofrem com sobrecarga

Publicado em 13 de junho de 2024

Áreas mais críticas são recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento e de diversidade e inclusão.

O RH, a área que deveria cuidar das pessoas nas empresas, está, aparentemente, sobrecarregado e enfrentando questões de saúde mental. É o que mostra pesquisa feita pela Flash, de gestão de benefícios, e obtida pelo Valor. Foram ouvidos 924 profissionais de recursos humanos, em abril e maio, de empresas de diferentes tamanhos e regiões do país.

Entre os respondentes, 82% se dizem sobrecarregados, com média, alta ou extrema sobrecarga; 55% trabalham mais de 8 horas por dia; e 34% relatam sofrer pressão diária ou semanalmente. Profissionais de recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, e diversidade e inclusão são os que se sentem mais pressionados. “Esses números sinalizam que, nos últimos anos, a área passou a ser cada vez mais cobrada por gerar valor para o negócio, sendo demandada a criar estratégias para reduzir custo operacional ao mesmo tempo em que atrai, recruta e desenvolve talentos que precisam de habilidades cada vez mais complexas”, explica Guillermo Gomez, vice-presidente da Flash.

O executivo pontua o fato de que 5 em cada 10 profissionais de gestão de pessoas têm hoje alguma preocupação relacionada à inteligência artificial. “Isso demonstra que, para além dos desafios tradicionais da área, existe um outro fator estressor: a gestão eficiente da tecnologia.”

A pesquisa também indica que a média gerência – cargos de supervisor, coordenador e gerente – é a que se sente mais sobrecarregada. “Isso reflete a dupla pressão enfrentada: a operacional, com demandas como recrutamento e treinamento, e a estratégica, exigindo uma evolução dessas áreas para gerar maior valor para o negócio.”

Nesse cenário de pressão e sobrecarga, 65% dos profissionais de RH enfrentaram algum problema de saúde emocional no último ano. A ansiedade é o transtorno mais mencionado (42%), seguida por falta de motivação (16%), burnout (4%) e depressão (3%). Entre os entrevistados, 58% já viram um colega ser afastado por esgotamento profissional.

Mesmo com esses índices, são poucos os que são apoiados pela organização para obter os tratamentos adequados: 60% dizem não receber incentivo ou benefício corporativo relacionado à saúde mental. “A conscientização sobre saúde mental ainda não permeia a maioria das organizações. Muitas vezes, ela é encarada como custo adicional para o negócio”, diz  Gomez. Ele sugere que, para ser estratégico e persuasivo ao apresentar a questão para o CEO e demais executivos, as lideranças da área precisam usar a linguagem dos números. “Ao apresentar dados claros e mensuráveis sobre o impacto da saúde mental, o RH pode destacar não apenas os aspectos humanitários, mas os    benefícios financeiros de investir na promoção do bem-estar psicológico dos funcionários.”

Fonte: Valor Econômico
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