Programa apoia retorno de mães ao mercado

Programa apoia retorno de mães ao mercado

Publicado em 28 de outubro de 2021

Em live, Danielli Ramos, da Ativy, diz que flexibilidade do home office tem ajudado a atrair as executivas.

Levantamento divulgado em março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que o nível de ocupação entre mulheres de 25 a 49 anos de idade com filhos de até três anos é de 54,6% – abaixo de 67,2% daquelas sem crianças em casa. Para ajudar a reverter esse quadro, o grupo de tecnologia Ativy criou um programa em 2020 para contratar mulheres que ficaram fora do mercado depois da maternidade. A iniciativa vai continuar em 2022.

“Além de buscar maior equidade de gênero na empresa, o nosso interesse é apoiar o retorno das executivas à rotina profissional depois de meses de dedicação exclusiva aos filhos”, diz Danielli Ramos, Chief Happiness Officer (CHO) da Ativy, durante a live desta terça-feira, 26, da série RH 4.0 do “Carreira em Destaque”, mediada pela editora de Carreira Stela Campos.

Com 30% de mulheres no quadro, sendo 12% de presença feminina na liderança, o grupo de 282 funcionários criou a ação conhecida como ‘Mamães a Bordo” em 2020 e já quase equiparou o número de contratadas do ano passado em 2021. Foram efetivadas sete mães em 2020 e seis este ano, até 21 de outubro.

O programa, que inclui lives e envio de conteúdo sobre desenvolvimento de carreiras, recebeu inscrições de 400 candidatas, de 19 a 60 anos. Do total, 108 estavam na primeira gravidez e 171 se consideravam fora do mercado de trabalho.

Do quadro atual de funcionários, 21% são mães e dessa parcela, 5% têm dois filhos e 16%, apenas um. “O programa vai continuar em 2022, com foco na área de tecnologia”, diz Ramos.

Ela explica que a possibilidade de cumprir parte do expediente a distância é um dos atrativos para as candidatas, desde que a pandemia começou. A Ativy tem sede em Campinas (SP) e abarca sete startups independentes – Ativy Digital, Callface, Fieldy, Invent, 4money, Empresto+ e Boty. A companhia deve assumir um expediente híbrido a partir da segunda quinzena de novembro, com pelo menos dois dias por semana com atividades presenciais. Oitenta por cento dos funcionários já vão ao escritório pelo menos uma vez na semana.

“Pesquisas com os empregados indicam que eles sentem falta de manter um relacionamento mais próximo com os colegas”, explica Ramos, na empresa desde 2018 e no atual posto a partir de novembro de 2020.

A executiva diz que a companhia, com operações também no México, Chile, Argentina e Colômbia, planeja abrir pelo menos mais três posições para mães até o final do ano. A ideia é oferecer formação técnica para as candidatas que querem trabalhar com tecnologia. O grupo prevê lançar mais quatro startups e aumentar em 63% o faturamento de 2021 em relação a 2020, quando atingiu R$ 80 milhões.

Para a executiva mãe que está fora do mercado e deseja regressar, a orientação de Ramos é avaliar se quer voltar para a mesma área em que atuava antes, se atualizar sobre as novidades do nicho de ocupação pretendido e se preparar emocionalmente para se afastar um pouco dos filhos.

“Nasce uma mãe, nasce uma culpa”, compara Ramos, que passou pela experiência da maternidade na carreira. “É preciso saber como vão ficar as crianças e escolher uma empresa que valorize suas habilidades.”

A gestora destaca ainda que o empregador deve estar pronto para receber as mães. É preciso montar uma trilha de carreira que ajude as funcionárias a reingressar na hierarquia corporativa e preparar a liderança para receber os talentos, diz. Oferecer a flexibilidade do home office e um bom pacote de benefícios também devem ser considerados.

Na Ativy, além de regalias comuns no mercado, como plano de saúde, há auxílio-creche e reembolso para o transporte escolar – estendidos também para os funcionários que são pais.

Fonte: Valor Econômico
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