Programa de emprego arrecada mais que gera vaga, diz órgão do Senado

Programa de emprego arrecada mais que gera vaga, diz órgão do Senado

Publicado em 10 de dezembro de 2019

O Programa Verde-Amarelo, lançado pelo governo para incentivar a contratação de jovens, vai arrecadar mais do que gerar vagas. Estudo da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, mostra que a União geraria com a taxação do seguro-desemprego R$ 12,7 bilhões em cinco anos —valor maior que o impacto de R$ 11,3 bilhões da desoneração prevista pelo pacote, no mesmo período.

O Programa Verde-Amarelo

reduz os encargos das empresas que contratem jovens de 18 a 29 anos que nunca tenham trabalhado com carteira assinada. Nesse tipo de contrato, empregadores ficam isentos de recolher contribuição previdenciária, salário-educação e contribuições para o Sistema S. Além disso, o recolhimento para o FGTS é reduzido de 8% para 2%. Os benefícios são válidos apenas caso a remuneração seja de até 1,5 salário.

Como essas medidas resultam em perda de arrecadação, o governo decidiu criar uma contribuição de 7,5% sobre os benefícios do seguro-desemprego. A cobrança seria uma forma de compensar esse custo. Hoje, o auxílio pago aos desempregados não é taxado.

O estudo da IFI chegou à conclusão de que a medida não apenas compensa os custos do programa, mas geraria reforço na arrecadação. Para calcular esse impacto nas contas públicas, o órgão levou em consideração a contratação de 1,8 milhão de jovens na nova modalidade nos próximos três anos — projeção oficial do governo.

Na avaliação do diretor-executivo da IFI, Felipe Salto, há risco de que a medida seja mais arrecadatória do que a proposta original de gerar emprego. Ou seja, foque mais em reforçar o caixa do governo:

— A MP é fiscalmente equilibrada, mas é possível que acabe tendo resultado mais arrecadatório do que no mercado de trabalho.

Para o secretário Especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, o estudo não atenta para a inclusão previdenciária decorrente da taxação do seguro-desemprego:

—Imagine que um cidadão passe cinco meses no seguro-desemprego e, a partir da lei, passe a contribuir com 7,5% sobre um salário mínimo. (Ele) vai contribuir com pouco mais de R$ 370 reais em cinco meses acumulados. Ele vai antecipar sua aposentadoria em cinco meses também. Ele vai receber do governo federal R$ 5 mil mais o proporcional do décimo terceiro (salário). Então, o governo vai receber de contribuição a valor presente (de hoje) menos de R$ 400, e vai pagar mais de R$ 5.400. Eu recomendo que o IFI se debruce sobre os cálculos dentro de uma lógica atuarial além da questão monetária .

EMENDAS À PEC EMERGENCIAL

A contribuição sobre o seguro-desemprego é o ponto mais polêmico da medida provisória que criou o Programa Verde-Amarelo. A comissão mista que vai analisar a medida deve ser instalada nesta semana.

Também nesta semana, o Legislativo deve avançar na tramitação da chamada PEC emergencial, que prevê medidas de ajuste para reduzir os gastos públicos. O relator da medida, senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), deve ler hoje seu parecer.

A proposta já recebeu mais de 50 emendas, que têm como objetivo flexibilizar pontos do texto. Entre as sugestões de mudança, está a blindagem de funcionários públicos com dedicação exclusiva da medida que autoriza cortes em salários e carga horária de servidores para equilibrar as finanças.

Fonte: O Globo
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