08 mar Programas impulsionam carreiras e diversidade
Programas impulsionam carreiras e diversidade
Empresas criam estratégias para desenvolver mulheres para que alcancem cargos de liderança.
Com a maioria de funcionários do gênero feminino (80%), sendo 67% em cargos de liderança e 30% na diretoria executiva, o Grupo Fleury dissemina a cultura da diversidade como um trabalho que precisa ser revisto frequentemente para combater vieses, conscientes e inconscientes. Em 2023, passou a integrar o índice de equidade de gênero da Bloomberg (Gender-Equality Index 2023). Também faz parte do Índice Teva Mulheres na Liderança, um reconhecimento para as organizações que apresentam mais mulheres em órgãos de governança.
“Ainda temos uma jornada para construir o futuro, continuamos trabalhando em uma série de ações em diversidade, equidade e inclusão. Quando falamos de diversidade, equidade e inclusão, cada vez mais essa conscientização precisa fazer parte da cultura da organização”, afirma Jeane Tsutsui, CEO do Fleury.
Um dos avanços recentes do grupo é o programa “Elas na Liderança”, projeto desenhado para acelerar a carreira de mulheres pretas e pardas que trabalham na companhia, com atividades que duram seis meses. Na primeira turma, foram selecionadas 20 mulheres pretas e pardas, de diferentes áreas e cargos.
As participantes passam por experiências de autoconhecimento, letramento nas temáticas de diversidade, equidade e inclusão, atividades relacionadas a gestão de pessoas, mentoria executiva com visão de mercado e negócios. “O programa incentiva essas mulheres a tirarem vieses como: ‘Será que eu estou preparada? Acho que não vou me candidatar’. Na maioria das vezes, a mulher está preparada, mas tem a visão de que não vai dar conta”, diz Tsutsui.
Fabiana Moreno, diretora de produção de conteúdo dos Estúdios Globo, é uma das quatro mulheres que estão na diretoria da área de entretenimento. No mesmo nível, há outros cinco colegas do gênero masculino. A chegada dela, uma mulher parda, criada no município de Nilópolis, na baixada fluminense, e mãe de três filhos, representa mais um avanço na busca dos Estúdios Globo por mais diversidade.
Os Estúdios Globo têm 55% de mulheres entre os funcionários e, na produção, 93% da liderança de programas é feminina. Segundo Moreno, o desafio agora é preparar mais mulheres para chegar à alta liderança. “Faz muita diferença quando você traz mais mulheres para a mesa. Isso dilui o desconforto, fica mais equilibrado para que, de fato, todas as perspectivas venham à mesa e contribuam para o resultado dos trabalhos e discussões”, diz Moreno, que tem no currículo a participação no Advancing Women of Color in Leadership (Promovendo mulheres negras na liderança), da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
O trabalho agora, diz Moreno, é desenvolver ferramentas para que se tenha cada vez mais mulheres na alta direção – como os programas de mentoria criados no grupo. Moreno se capacitou para ser parte da equipe e participou da mentoria de mulheres pretas que trabalham na organização. No total, 46 mulheres participaram.
“No fim do processo de mentoria, as mulheres puderam ser vistas por executivos da empresa. Elas puderam estar também diante desses executivos e ter outras oportunidades. Essas coordenadoras, por exercerem funções operacionais, dificilmente teriam a chance de serem vistas por um executivo da empresa”, diz Moreno.
A consultoria Bain também está investindo na mentoria para que mulheres negras assumam mais posições no mercado de consultoria estratégica. A iniciativa faz parte do programa de diversidade, equidade e inclusão da empresa e é aberto para mulheres autodeclaradas pretas ou pardas, estudantes ou recém-formadas no nível superior entre dezembro de 2021 e dezembro de 2026.
“O programa de mentoria destaca o compromisso da Bain com a promoção da equidade de raça e gênero, o que dá respaldo à permanência e ao avanço das mulheres negras em todos os níveis da organização”, ressalta Erica Dias, diretora sênior de recrutamento da Bain América do Sul.
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