28 abr Programas para alcançar equidade são limitados
Programas para alcançar equidade são limitados
Machismo e racismo alimentam ciclo de desigualdades para grupos minoritários.
Apenas 37% das empresas no Brasil têm um orçamento dedicado a programas de diversidade, equidade e inclusão (DE&I), enquanto 49,9% apontam que houve um aumento no apoio às ações nos últimos 12 meses. O levantamento é da consultoria Korn Ferry com 250 companhias. Entre as iniciativas conduzidas pelas organizações, há novidades em relação a programas de estágios inclusivos e na medição de resultados de políticas afirmativas.
Na Citrosuco, maior exportadora de suco de laranja do mundo com 10,6 mil funcionários no país, a parcela de mulheres no quadro passou de 25%, em 2019, para 28%. Nas cadeiras de comando, 18% pertencem às executivas, ante 10% em 2017. “Temos o compromisso de atingir uma representatividade de 30% de mulheres e pessoas negras em cargos de liderança até 2030”, afirma a gerente de desenvolvimento humano e organizacional, Renata Maziero Rocha.
O primeiro programa formal de incentivo à inclusão e diversidade surgiu em 2017. No ano passado, o edital de estágios mudou, com novos critérios de corte, para garantir um maior número de pessoas negras na seleção – 35% das vagas foram ocupadas por pessoas negras.

Para medir os resultados das iniciativas, a empresa aplica pesquisas de clima e usa um controle de indicadores de diversidade. Recentemente, realizou um mapeamento de executivas com potencial de ocupar postos de liderança. “São analistas e engenheiras que querem seguir carreira como gestoras e passam a ser preparadas para a supervisão na fábrica, nas fazendas ou em áreas administrativas.” Entre as dez vagas criadas, seis foram para mulheres.
A Vivo, com 43,1% da folha de 33 mil funcionários compostos por mulheres, lançou há quatro anos um programa de diversidade que atua em pilares como gênero e raça. Os resultados são visíveis, segundo a vice-presidente de pessoas Niva Ribeiro. As profissionais estão em 28,3% dos cargos diretivos e em 36,4% das posições gerenciais, parcelas que eram, respectivamente, de 20% e 30%, em 2019. O objetivo, segundo Ribeiro, é chegar a 31% de mulheres em assentos de direção até o final do ano.
Ribeiro explica que a Vivo desenhou, em parceria com o Instituto Modo Parités, que capacita líderes na promoção da inclusão, um programa de desenvolvimento de carreira para 100 funcionários negros. Do total de empregados autodeclarados negros na companhia, 43,2% são mulheres, ante 35,7 % em janeiro de 2019.
Na nova seletiva de estagiários, lançada em 2021 com 750 vagas, 50% das posições também foram dedicadas a jovens negros. O edital atraiu 26 mil candidatos, sendo 51% de negros.
Vanessa Grossi, diretora de recursos humanos para a Dow na América Latina e “sponsor” do Win, grupo que fomenta a equidade de gênero na empresa, diz que a gigante da indústria química tem investido, nos dois últimos anos, em campanhas de conscientização sobre autoidentificação. “Ela é importante para conhecermos a nossa ‘população’ e ampliarmos iniciativas de desenvolvimento”, afirma.
Atualmente, na empresa de dois mil empregados 33,4% são mulheres – eram 30% em 2020 – e 42,2% dos cargos de lideranças estão com executivas. Quase 40% do contingente geral se autodeclaram negros e 23% das funcionárias se identificam como pretas e pardas.
Na opinião de Raphael Vicente, diretor geral da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, mais corporações precisam acelerar políticas de equidade de gênero e raça porque o machismo e o racismo se “retroalimentam” e geram um ciclo de desvantagens para os grupos minorizados.
De acordo com o Índice de Equidade Racial Empresarial (IERE), realizado pela iniciativa e considerado o maior levantamento sobre a participação dos negros no mercado de trabalho no país, a representatividade nas corporações está, em média, em 30%, com 17% de homens e 13% de mulheres. Nos cargos de gerência e supervisão, 10,3% são do gênero masculino e 5,5% são de executivas negras.
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