16 out Projeto que prorroga desoneração deve ser votado nesta terça
Projeto que prorroga desoneração deve ser votado nesta terça
Relator pretende descartar alterações feitas na Câmara para agilizar tramitação, mas existe a possibilidade de haver pedido de vista.
O projeto de lei que prorroga a desoneração da folha de salários dos 17 setores empresariais que mais empregam no país deve ser votado nesta terça-feira pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Segundo o Valor apurou a expectativa é que o relator da proposta, Angelo Coronel (PSD-BA), não inclua em seu parecer a redução da alíquota de contribuição previdenciária para todas as prefeituras.
De autoria do senador Efraim Filho (União-PB), o projeto de lei já passou uma vez pelo Senado e foi aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de agosto com modificações. Por isso, retornou à Casa de origem.
“A tendência é manter o que foi aprovado no Senado. Eu só tenho duas opções: manter o texto que eu fiz [durante tramitação anterior no Senado] ou acatar o da Câmara. Não há uma terceira chance”, disse Coronel ao Valor.
Para o relator, caso seja mantida a versão aprovada previamente no Senado, o texto não precisaria nem mesmo ser analisado pelo plenário da Casa. Ele reconhece, no entanto, que sua tese não deve prevalecer. “É difícil não ir para plenário porque teve a modificação na Câmara e o recurso final é o plenário. Mas, ainda há uma dúvida regimental se precisaria ir mesmo para o plenário. Eu defendo que, se for manter o texto original na CAE, não tem motivo para ir ao plenário, mas, de qualquer maneira, é questão de interpretação”, disse Coronel.
A matéria estabelece a prorrogação da desoneração da folha de salários para os 17 setores que mais empregam no país por quatro anos. O regime tributário acabará em 31 de dezembro deste ano se não for prorrogado.
Durante a tramitação da Câmara, deputados incluíram alterações para diminuir encargos dos municípios. O projeto aprovado pelo Senado já propunha a redução das alíquotas previdenciárias das prefeituras, mas a desoneração valeria apenas para aquelas cidades com até 142 mil habitantes, que teriam a taxação reduzida de 20% para 8% dos salários dos servidores. A Câmara ampliou isso para todas as cidades, de forma escalonada.
Além disso, deputados aprovaram a ampliação da desoneração das empresas de transporte rodoviário coletivo de passageiros municipal, intermunicipal, interestadual e internacional. Elas pagam alíquota de 2% so bre a receita bruta e passariam a ser tributadas em 1%. Para os demais setores, como calçados, vestuário e construção civil, as alíquotas foram mantidas entre 2% e 4%.
Na avaliação do relator no Senado, no entanto, a matéria terá mais facilidade de ser aprovada caso ele confirme a exclusão das mudanças feitas pelos deputados. “No Senado, [o resultado] foi bem folgado, 14 [votos] a três na CAE. Se não houver mudança [no parecer], deverá haver esse mesmo placar”.
Segundo Angelo Coronel, deve-se atender os municípios que estão mais deficitários. “Os grandes municípios já têm previdência própria, então não vai atingi-los. Não há razão para acatar as alterações da Câmara”, justificou o senador.
Presidente da CAE, o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) disse que o governo tenta adiar a votação. O relator tenta construir um acordo para que um eventual pedido de vista dure apenas 24 horas.
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