Puxado pela indústria, RS abre quase 20 mil vagas em fevereiro

Puxado pela indústria, RS abre quase 20 mil vagas em fevereiro

Publicado em 31 de março de 2023

Saldo entre contratações e desligamentos no Estado avançou de forma lenta e ficou 25,9% inferior ao registrado no ano passado.

O Rio Grande do Sul abriu 19.545 vagas de emprego com carteira assinada em fevereiro. O resultado é fruto da diferença entre as 131.968 admissões e as 112.423 demissões realizadas no período. Os dados são do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O desempenho do Estado, assim como o do país – que apurou saldo positivo de 241.785 ocupações formais no segundo mês do ano – teve leve variação sobre janeiro (0,73% no RS e 0,57% no Brasil), mas ficou abaixo de fevereiro de 2022. Na comparação com igual período do ano passado, o saldo foi menor em quase 7 mil vagas no Rio Grande do Sul (queda de 25,9%) e em 111,5 mil ocupações formais no país (baixa de 31,6%). Naquele período, tinham sido criados 26.379 empregos com carteira no mercado gaúcho e 353.294 postos de trabalho nacionais.

A economista-chefe da Fecomércio-RS, Patrícia Palermo, constata que o mercado de trabalho perde fôlego na geração de novos vínculos formais. No Brasil, acrescenta, todos os grandes grupamentos apresentaram redução de ritmo na comparação com o mesmo período de 2022. No Estado, ainda que menos intensa, a redução do ritmo tem como destaques os comportamentos da construção civil, que praticamente estagnou na criação de vagas (apenas 164), e dos serviços, que geraram 50,6% menos vagas do que no mesmo período do ano passado, aponta a economista.

Sazonalidade

Entre os setores, a sazonalidade da indústria, essencialmente no que envolve o período típico das contratações no segmento de tabaco, alavancou a performance gaúcha com saldo de 12.142 postos com carteira assinada. Logo atrás estão os serviços, com 5.421, e a agropecuária, com 2.919. Construção em estabilidade e comércio no campo negativo apresentaram movimentação já esperada para o momento.

— Se olharmos os dados ampliados, veremos que esse é um mês que favorece a indústria, sobretudo, a tabagista, enquanto no comércio ainda há um ajuste. Quando se olha para os serviços, o número absoluto parece inflado, mas a variação sobre janeiro fica em 0,49% — complementa Oscar Frank, economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA).

Na avaliação de Frank, em análise mais abrangente, percebe-se que a desaceleração no mercado de trabalho formal, em parte, se explica pelo ajuste estatístico. Isso acontece porque, segundo o economista-chefe da CDL-POA, a base de comparação de 2022 pode ser considerada elevada, em razão do momento de retomada mais consistente da economia após a pandemia.

Macroeconomia

Por outro lado, afirma Frank, é impossível fechar os olhos para os efeitos que estão reequacionados com a macroeconomia. Dentre os principais, cita o baixo índice de investimentos, crédito mais caro, freio na atividade econômica e alto percentual da população em situação de endividamento e inadimplência.

O economista alerta que é preciso ter cuidado ao atribuir a continuidade do cenário de menor velocidade para a expansão do mercado de trabalho com base em indicadores isolados. No entanto, diz que perspectivas como a pressão inflacionária, que deverá segurar os juros em elevação por mais tempo, e a maior exposição do Brasil ao cenário externo dão indicativos de que o clima de “moderação” deve permanecer ao longo das próximas divulgações do Caged, e também da Pnad, do IBGE, que inclui as contratações sem carteira assinada nas estatísticas.

Fonte: Gaúcha GZH
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