PwC oferece home office e reduz salário por localização

PwC oferece home office e reduz salário por localização

Publicado em 7 de outubro de 2021

Companhia anunciou, nos Estados Unidos, que seus 40 mil funcionários poderão trabalhar a distância, e terão readequação do pagamento caso morem em local com custo de vida menor.

A PwC disse na semana passada a 40.000 funcionários nos Estados Unidos que eles poderão trabalhar remotamente de qualquer parte do país, mas terão seus salários reduzidos se mudarem para locais onde o custo de vida é menor.

A decisão de permitir aos funcionários trabalhar a distância em uma base permanente é a resposta mais radical de uma das Big Four (as quatro maiores empresas mundiais de auditoria) às mudanças provocadas pela pandemia. Sob o plano, funcionários que lidam com clientes receberam duas semanas para optar por funções “virtuais”, trabalhando em casa, exceto quando houver a necessidade ocasional de dar um pulo no escritório para uma reunião em equipe, visitas a clientes ou outros eventos importantes, disse a PwC.

Os funcionários que optarem por trabalhar a distância terão de comparecer ao escritório não mais do que três dias por mês, acrescentou a companhia.

O corte nos salários dos funcionários que se mudarem para locais onde o custo de vida é menor reflete a abordagem adotada por empresas de tecnologia como Facebook, Twitter e Google.

Yolanda Seals-Coffield, vice-diretora de pessoas da PwC nos Estados Unidos, disse que essa não é uma mudança de postura. “A nossa estratégia sobre isso não está mudando, o que significa que pagamos nosso pessoal com base nos lugares onde eles vivem”, disse ao “Financial Times”. “Você vai ganhar o mesmo que outros funcionários semelhantes em sua geografia ganham, seja ou não um trabalhador virtual.”

A PwC disse que é a primeira empresa de serviços profissionais dos Estados Unidos a permitir que seus funcionários trabalhem a distância de qualquer parte do país. A decisão deverá forçar concorrentes como as demais Big Four, Deloitte, EY e KPMG, a considerar a possibilidade de fazer a mesma coisa para segurar funcionários. “Parte do que vimos nos últimos 18 meses é que se você quiser recrutar pessoal e reter talentos, terá que dar a eles mais flexibilidade e opções”, disse Seals-Coffield, acrescentando que a mudança não foi motivada por custos.

Fiona Czerniawska, presidente executiva da Source Global Research, uma provedora de dados para o setor de consultoria, disse que a decisão da PwC foi “ousada”. Ela prevê que a mudança “não só ajudará a reter, como também poderá ajudar a atrair novos talentos”.

A decisão da PwC, divulgada em primeira-mão pela “Reuters”, está em desacordo com a abordagem de sua “empresa irmã” no Reino Unido. A PwC UK, que é controlada e administrada separadamente, tem sido uma grande defensora dos escritórios e já informou aos seus funcionários que eles passarão em média de dois a três dias por semana no escritório depois da pandemia.

“O mundo virtual não substitui o contato humano para um negócio de pessoas como o nosso”, disse em julho Kevin Ellis, presidente da PwC UK. Na semana passada, ele disse ao “Financial Times” que “cada empresa territorial toma decisões baseadas em seus mercados locais”.

Mas Seals-Coffield disse que a equipe totalmente remota deve ser capaz de progredir. “Houve um tempo em que alguém trabalhando meio período nunca seria um sócio e está provado que isso não é verdade”, disse. “Não tenho motivos para acreditar que você não pode ter uma carreira bem-sucedida se trabalhar a distância. E é nosso trabalho fazer isso acontecer.”

Seals-Coffield disse que uma pesquisa mostrou que de 30% a 35% da força de trabalho em geral queria trabalhar “virtualmente”, mas que ela não podia prever o nível de aceitação dentro da PwC, ou se grupos como o de pais eram mais propensos a aceitar.

A nova política não cobre os sócios da PwC ou seus 15.000 funcionários de apoio administrativo, incluindo funções como recursos humanos e apoio de tecnologia da informação, muitos dos quais já são capazes de trabalhar remotamente.

Segundo Seals-Coffield, a companhia não tem planos para reduzir o tamanho de seu espaço de escritórios. A PwC deixou a porta aberta para uma reversão da política se o trabalho a distância permanente não for um sucesso. “Embora essas mudanças não sejam de curto prazo e pretendem ser opções contínuas para o nosso pessoal, continuaremos avaliando e inovando – como fazemos com todas as nossas políticas de benefícios e flexibilidades”, disse a companhia. (Tradução Mario Zamarian)

Fonte: Valor Econômico
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