21 ago Quanto custa um emprego para a empresa? E quanto cai na conta do funcionário?
Quanto custa um emprego para a empresa? E quanto cai na conta do funcionário?
Veja ainda quais são os 10 encargos cobrados sobre o salário.
Quanto custa um emprego para quem o gera? E quanto efetivamente vai para a conta do funcionário no mês? Para visualizar a diferença, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA) fez um estudo considerando exemplos de um salário mínimo (R$ 1.621), de R$ 5 mil, de R$ 10 mil e R$ 16.951 (duas vezes o teto do INSS, quando a CLT permite negociação individual de condições de trabalho).
Nos dois primeiros casos, o salário líquido mensal é 52% do que o empregador tem de custo por aquele posto de trabalho. Nos outros dois, é menos ainda: 43%.
“Estimamos que contratar um celetista custa, em média, 73% acima do salário nominal”, destacam os economistas da CDL, Oscar Frank e Marcelo Ayub.
Está certo que uma boa parte dos encargos acabam indo para o trabalhador em outros momentos (veja lista abaixo), como 13º salário, pagamento de férias e FGTS. Porém, é um exercício que vale inclusive para identificar por que muitos trabalhadores acabam optando pela informalidade ou por serem microempreendedores individuais (MEI), dispensando vínculo CLT. Acaba importando mais o que pinga na conta no mês, valores que muitas vezes as empresas não conseguem bancar pelos encargos e provisões que precisam somar.
Frank e Ayub fazem uma estimativa provocativa: caso os encargos fossem reduzidos em 10 pontos percentuais. Não é tanto e teria um efeito em empregos “da base da pirâmide”, que são em grande número. No Rio Grande do Sul, o corte abriria 21,9 mil empregos e formalizaria 45,5 mil trabalhadores. No Brasil, seriam 365,2 mil empregos e 727,1 mil formalizações. A desoneração, no país todo, custaria R$ 27,6 bilhões ao governo, mas o ganho de arrecadação tributária direta seria de R$ 21,5 bilhões. Se considerar a arrecadação indireta, provavelmente o governo sairia ganhando, avisam os economistas.
Custos do emprego além do salário líquido
- 13º salário: 8,33%
- Férias acrescidas de um terço: 11,11%
- Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS): 8%
- Contribuição patronal ao INSS: 20%
- Risco Ambiental de Trabalho (RAT) / Seguro de Acidente de Trabalho (SAT): 1%
- Contribuição para terceiros (Sistema S): 5,80%
- Provisão de aviso prévio: 8,33%
- Provisão de multa de 40% do FGTS: 3,20%
- Vale-transporte: 6% da remuneração
- Tributação em cascata, com FGTS e INSS sobre 13º e férias: 7,4%
Opinião da coluna: Gerar emprego não deveria ser tão caro. É o que movimenta a economia. Aliás, é a principal contribuição de uma empresa para a sociedade.
Entrevista do Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, com o economista Oscar Frank:
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