27 ago Reabertura ajuda país a criar 317 mil vagas formais em julho
Reabertura ajuda país a criar 317 mil vagas formais em julho
Economistas acreditam que saldos mensais devem se manter positivos nos próximos meses, com o BEm, impedindo demissões, e certa volta à “normalidade” no comércio e nos serviços.

O avanço da vacinação e o aumento da mobilidade, que ajudaram a criar vagas, e o programa federal de manutenção de empregos (BEm), que freou demissões, permitiram mais um mês de forte criação de postos formais de trabalho, em julho.
Economistas acreditam que os saldos mensais devem se manter positivos nos próximos meses, com o BEm – embora com menos intensidade – impedindo demissões, e certa volta à “normalidade” no comércio e nos serviços, o que contribui para gerar empregos. A avaliação desses analistas é a de que o país deve criar mais de 2,5 milhões de empregos com carteira assinada este ano, estimativa compartilhada pelo ministro do Trabalho e da Previdência, Onyx Lorenzoni.
Divulgado ontem, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou um saldo de 316,6 mil empregos em julho, mais que as 304,7 mil vagas criadas em junho, e acima da mediana das estimativas do mercado, de 300 mil. No ano, o saldo é de 1,85 milhão de vagas.
Houve abertura de postos de trabalho nos cinco grandes setores da economia em julho, puxados pelos serviços (127.751) e comércio (74.844). Agricultura (25.422), indústria (58.845), construção (29.818) completam a lista. Todas as regiões do país tiveram saldo positivo: Sudeste (161.951), Nordeste (54.456), Sul (42.639), Centro-Oeste (35.216) e Norte (22.417).
O BEm e o aumento da mobilidade estão por trás do bom resultado do Caged em julho e são fatores que devem continuar a beneficiar o mercado formal de trabalho neste terceiro trimestre, segundo o economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores.
Ele lembra que a nova metodologia do Caged tende a gerar saldos superiores de emprego formal em relação à antiga, pois inclui novas modalidades de trabalho e há certa dificuldade de informar desligamentos.
O economista acredita que, terminada a estabilidade garantida pelo BEm, as empresas não devem demitir, já que há retomada da atividade, em especial os serviços e no comércio. A LCA estima criação de 2,8 milhões de empregos formais neste ano.
Em julho, 3,4 milhões de trabalhadores estavam dentro da garantia provisória de emprego do BEm, programa que foi reeditado em abril e teve as adesões encerradas nesta semana. “É muita gente, pouco menos de 10% do estoque de trabalhadores formais do Brasil”, observa.
Em agosto, o número cai para 2,7 milhões e, em setembro, para 2 milhões. Ao fim de dezembro, 1,3 milhão de pessoas ainda estarão dentro da garantia de emprego. Ontem, o ministro Lorenzoni e o secretário-executivo da pasta, Bruno Dalcomo, exortaram o Senado a aprovar a Medida Provisória 1.045, que reedita o BEm pela segunda vez e cria novas formas de acesso ao mercado de trabalho, inclusive sem carteira assinada. Se não for aprovada até o dia 7 de setembro a MP caduca.
Nas contas da MCM Consultores, o saldo de empregos formais em agosto deve superar o de julho, com 320 mil vagas. “Para tanto, esperamos que a recuperação da atividade econômica e, por conseguinte, do mercado de trabalho, prevaleça sobre o ‘esvaziamento’ do BEm”, diz relatório da casa. A consultoria estima que o Caged deve encerrar 2021 com saldo um pouco abaixo de 3 milhões de vagas formais.
Já para o economista Lucas Assis, da Tendências Consultoria, o fim do BEm e incerteza econômica devem limitar criação de vagas no segundo semestre.
De um lado, diz Assis, o mercado de trabalho deve ser favorecido pelo aumento da mobilidade e pelo avanço da vacinação. De outro, a geração de vagas deve ser prejudicada por “desafios” à economia. Ele destaca cinco pontos: a crescente incerteza sobre ritmo da atividade em 2022, diante da alta dos juros e do ciclo eleitoral; os impactos dos choques de custos produtivos; os riscos de racionamento de energia; as incertezas relacionadas ao efetivo controle da disseminação da covid-19 e a contenção de novas variantes; e o fim do BEm 2021.
A XP também espera desaceleração gradual na criação líquida de postos daqui para frente, devido especialmente ao menor número de acordos regidos pelo BEm e taxas mais moderadas de contratação nos setores de serviços e comércio, o que deve ficar mais evidente a partir do último trimestre de 2021, segundo o economista Rodolfo Margato. A casa estima 2,35 milhões empregos formais em 2021.
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