Reajuste salarial em dezembro supera inflação

Reajuste salarial em dezembro supera inflação

Publicado em 27 de janeiro de 2023

Segundo dados do Salariômetro, três em cada quatro negociações terminaram com aumento acima do INPC.

A recomposição salarial seguiu firme no fim do ano passado, apesar de o ritmo de criação de vagas ter dado sinais de fraqueza nos últimos meses de 2022. Segundo dados do Salariômetro, três em cada quatro negociações salariais terminaram com reajuste acima da inflação em dezembro.

O reajuste mediano concedido no último mês de 2022 foi de 6,5%, 0,5 ponto porcentual acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses, que foi de 6%, de acordo com o boletim produzido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Apenas 15,3% das negociações terminaram com reajuste abaixo desse patamar. Em outras 10,2%, o aumento salarial empatou com a inflação.

Vale ressaltar que dezembro é um mês em que, tradicionalmente, pouquíssimas categorias encerram suas campanhas salariais. Foram apenas 59 instrumentos que terminaram com reajuste, de um total de 19.933 no ano.

Ainda assim, é visível a tendência recente de melhora. Após 33 meses sem reajuste real, outubro foi o primeiro mês em que a maior parte das negociações terminou com aumento acima da inflação. Em novembro, praticamente metade dos acordos terminou com ganho real.

“O número de instrumentos de dezembro em relação ao total é pequeno, mas a tendência não muda. Os dados preliminares de janeiro mostram situação parecida, com apenas 11,8% das negociações encerrando com perda real de salário”, diz Hélio Zylberstajn, responsável pelo boletim. “Com as projeções de mercado mostrando que a inflação em 12 meses deve continuar caindo até julho, acredito que esse movimento de valorização deve continuar no curto prazo.”

Em 2022 como um todo, 25,2% dos reajustes e pisos medianos terminaram acima do INPC acumulado, movimento de alta em relação aos 15,9% de 2021. Já a proporção de negociações que terminou com perda real caiu de 49,7% em 2021 para 40,6% no ano passado, um volume que ficou concentrado principalmente no primeiro semestre do ano. A parcela dos instrumentos que apenas compensaram a inflação ficou praticamente estável no período, passando de 34,4% para 34,2%.

Os dados do Salariômetro vão na mesma direção do mercado de trabalho como um todo. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, do IBGE, a renda média real habitual do trabalhador brasileiro teve alta de 7,1% no trimestre encerrado em novembro, para R$ 2.787. Foi a primeira alta após seis trimestres consecutivos de queda.

Já a taxa de desemprego caiu a 8,1% naquele período. Analistas, no entanto, ressaltam que o movimento ocorreu devido, principalmente, a uma queda na taxa de participação da força de trabalho. A população ocupada, em cálculos dessazonalizados feitos por consultorias e bancos, já estaria em queda.

Fonte: Valor Econômico
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