Reajuste salarial não vence inflação há 25 meses

Reajuste salarial não vence inflação há 25 meses

Publicado em 27 de abril de 2022

Boletim Salariômetro mostra que em março média das negociações apenas empatou com a variação do INPC.

 Os trabalhadores brasileiros completaram, em março, o 25º mês consecutivo sem ganhos reais em seus rendimentos nas negociações salariais, mostra o boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A mediana do reajuste obtido nas negociações salariais coletivas (acordos e convenções) no mês passado empatou com a inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) em 12 meses, de 10,8%.

Desde fevereiro de 2020 a mediana dos reajustes não indica aumento real dos salários. No mês passado, 49,9% das negociações resultaram em reajuste abaixo do índice de referência. Somente 16,1%, ou 1 em cada 6 negociações, resultaram em ganho acima do INPC acumulado no período.

“O quadro está parecido com o dos meses anteriores, mas ligeiramente pior. Em 12 meses, a proporção de negociações que resultaram em reajuste abaixo do INPC era de 46,7%”, nota Hélio Zylberstajn, professor sênior da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e coordenador do Salariômetro.

Para ele, a perspectiva para os próximos meses também é negativa. Enquanto a economia patina e a taxa de ocupação não se recupera, houve piora das expectativas de inflação, que prometem se manter perto dos dois dígitos pelo menos até o início do segundo semestre.

Segundo projeções do Santander e do Itaú para os próximos meses, o INPC só deve voltar a um dígito em algum momento entre setembro e outubro. O pico deve ser atingido em maio, quando o primeiro calcula um indicador em 12,3%, e o segundo, em 12,1%.

Diante desse cenário, é esperado que tradicionais mecanismos limitadores de reajustes também cresçam em importância. Em março, os reajustes escalonados estiveram em 4,7% do acordos. Já a aplicação de um teto para o reajuste foi implementado em 12,2% deles.

O trabalho híbrido continua a crescer nas negociações. A presença de cláusulas regulando esse tipo de regime chegou a 1,4% em março, aumento de 0,5 ponto porcentual em relação a março de 2021. Os quatro itens mais negociados nesse aspecto são controle de jornada, ajuda de custo, horários flexíveis e prevenção de acidentes.

“A regulamentação do regime híbrido por meio da negociação coletiva tem crescido. Estamos evoluindo no sentido de tornar desnecessário regulamentar esse formato em lei”, diz Zylberstajn.

Fonte: Valor Econômico
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