Recrutamento envolve rede social e funcionários

Recrutamento envolve rede social e funcionários

Publicado em 19 de fevereiro de 2024

Empresas deixam o jovem falar com o jovem, e usam menos mensagens institucionais.

A força de recrutamento das empresas está concentrada na geração Z, que hoje tem entre 18 e 26 anos, segundo um estudo do ManpowerGroup.

Essa faixa etária é prioridade na seleção (42%), seguida por milennials – entre 27 e 42 anos – (24%), geração X – entre 43 e 58 anos – (13%) e baby boomers – entre 59 e 77 anos – (10%). Wilma Dal Col, diretora de gestão estratégica de pessoas no ManpowerGroup Brasil, afirma que, embora o estudo não revele as razões do interesse dos empregadores pela geração Z, a experiência mostra que essa geração tem grande facilidade para lidar com as transformações e mudanças que o avanço da tecnologia, em especial da inteligência artificial, promovem no mundo e consequentemente no ambiente corporativo. “Talvez essa geração consiga visualizar com mais acuracidade que esse avanço tecnológico é uma oportunidade para os profissionais atuarem com maior foco em propósito e resultado, mitigando o foco em tarefas e processos”, diz.

A forma de atrair os jovens da geração Z para as organizações requer novas estratégias. Carolina Zwarg, diretora de gente e cultura da Porto, diz que a companhia chega a esse público principalmente por meio da plataforma LinkedIn, e pontua que a grande estratégia para conectar com essa geração é deixar o “jovem falar com o jovem”. “São colaboradores da Porto falando da Porto, da realidade que eles vivem na companhia, e menos vídeo institucional”, exemplifica.

Zwarg comenta que, inclusive, estimula os jovens candidatos a uma vaga de emprego na companhia a procurarem alguém que já trabalha na empresa para pegar referências, “fazendo com que as gerações se conversem”. “Levamos trainees [da Porto] para feiras de trainees”, comenta. “É diferente de falar institucionalmente.”

A Sankhya Gestão de Negócios também tem forte presença no LinkedIn, para encontrar candidatos, mas reforçou sua marca empregadora com vídeos no Tik Tok e ações no Instagram. Nesta última rede social, para conectar a marca com os mais jovens, um funcionário já assumiu o stories do perfil da empresa para mostrar todo o seu dia de trabalho. “Tem um programa interno chamado ‘Defensores’ em que as pessoas compartilham suas vivências na empresa, e também produzimos intencionalmente vídeos curtos com pessoas de dentro contando como é trabalhar na companhia”, comenta Mariá Menezes Boaventura, diretora de pessoas e cultura na Sankhya.

A executiva conta, ainda, que a empresa participa de eventos onde seu público-alvo está, como feiras de games, onde há pessoas que se interessam por tecnologia e podem ter “fit” com o negócio. “Diversificamos as frentes de atração e temos os funcionários como porta-vozes comunicando o dia-a-dia e valores também.”

A Atlas Eletrodomésticos costuma usar o TikTok e o Instagram para engajar com jovens candidatos. Uma ação recente para contratação de jovens aprendizes em Pato Branco (PR), onde fica a sede empresa, reuniu 220 inscritos para 40 vagas. “A geração Z inverteu [o processo de contratação], são eles que fazem a entrevista, olham como a marca impacta socialmente”, diz Celso Palagi, head de recursos humanos da companhia. Nesse sentido, ele comenta que a Atlas mostra com regularidade nas redes sociais seus programas sociais e ambientais.

Fonte: Valor Econômico
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