Regime híbrido é aposta para retenção de talentos

Regime híbrido é aposta para retenção de talentos

Publicado em 28 de abril de 2022

Empresas que adotaram o trabalho remoto colocam em prática modelo mais flexível de trabalho.

 A pandemia trouxe novos hábitos, principalmente nas formas de trabalho. Mesmo com o recente anúncio, pelo governo, do fim do estado de emergência de saúde pública, muitas empresas que adotaram o trabalho remoto colocam em prática, agora, o sistema híbrido – alguns dias no escritório e outros em casa.

“Nosso retorno ao escritório não foi, e não será totalmente presencial. Entendemos que o home office funciona em diversos aspectos, inclusive no ganho de produtividade com menos tempo perdido em deslocamentos diários”, diz Christiano Sobral, diretor-executivo do Urbano Vitalino Advogados.

O escritório, com atuação nacional e internacional, conta com 1.103 colaboradores, sendo 737 mulheres. Segundo Sobral, ainda antes da pandemia, em 2018, o escritório sentiu o peso do dilema enfrentado por suas advogadas que ao voltarem da licença-maternidade tinham dificuldades em retomar a rotina presencial e algumas chegaram a deixar o escritório. “Decidimos então instalar toda a infraestrutura necessária para o trabalho remoto compreendendo a necessidade de equilibrar o trabalho com a vida pessoal dessas mães. Assim, quando a pandemia nos obrigou a migrar para o home office, todo o nosso trabalho já estava adaptado à nova modalidade.”

Claudia Gomes, especialista em gestão de pessoas e diretora-executiva da Dromos Consult, diz que embora o home office tenha sido adotado definitivamente por muitas companhias, empresas familiares e de pequeno porte preferiram voltar ao modelo tradicional. “As ações focadas em benefícios específicos para mulheres, visando o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, estão crescendo, mas ainda são incipientes. É uma realidade em poucas empresas, principalmente em multinacionais.”

Esse é o caso da Nestlé, gigante do setor de alimentos, que tem como parte de sua política de benefícios o apoio para pais e mães nos cuidados com as crianças durante os primeiros meses de vida. Em 2017, a empresa implementou salas de amamentação em algumas unidades, com a coleta e conservação do leite em ambiente adequado.

O programa de parentalidade, serviço gratuito que já incluía gestantes, mães e pais, com orientações de saúde e cuidados com a criança até os dois anos de idade, recebeu um upgrade. No ano passado, ele foi ampliado para famílias com crianças adotivas visando o apoio durante o processo de adoção e adaptação familiar. “Além disso, iniciamos o desenvolvimento de novos materiais, como um e-book, que aborda temas como o equilíbrio na rotina das novas mamães após o retorno ao trabalho e amamentação”, diz Katia Regina, gerente executiva de total rewards da Nestlé, área que engloba remuneração, benefícios e bem-estar.

Ainda para 2022, a Nestlé está desenvolvendo outras iniciativas, com a revisão e otimização de alguns fluxos internos, além da preparação de materiais de apoio para colaboradores e liderança. “Esses materiais terão como foco o acolhimento, o reforço da importância do tema de parentalidade dentro da organização e também a sensibilização da nossa liderança”, relata Katia.

Luiz Fernando Lucas, consultor de gestão, palestrante e escritor, destaca que a pandemia veio mostrar que é impossível separar a vida pessoal da profissional, e que as empresas precisam entender a necessidade de se obter o equilíbrio entre os princípios femininos e masculinos para reter e conquistar talentos. “As empresas podem melhorar esse equilíbrio levando mais mulheres para cargos de decisão. O pós-pandemia traz um olhar diferente para as empresas, o lado mais sensível da mulher está sendo levado para as companhias, o que vai se refletir em melhores resultados e performances.”

Apesar de o modelo híbrido já ser uma realidade na Hidrovias do Brasil, a empresa de logística em transporte hidroviário encara a atual fase de transição como um período de aprimoramento. De acordo com Eliana Cachuf, diretora de gente e gestão e comunicação da companhia, todas as práticas de flexibilidade de horário e jornada serão mantidas e ajustadas às novas necessidades do trabalho e negócios pós-pandemia.

Durante o período de isolamento social, as mulheres não foram esquecidas pela empresa. “Realizamos para as funcionárias que são mães vários eventos digitais como salas de bate-papo voltadas para questões e compartilhamento de prática e experiência entre nossas mulheres. Também criamos um grupo dedicado de bem-estar e modelo híbrido para atuar nos ajustes necessários ao longo do período de isolamento.”

Para Eliana Cachuf, assim como tornar-se digital foi uma grande adaptação, o retorno também será uma nova adaptação, pois as pessoas precisam novamente enfrentar as questões de mobilidade e aglomerações, e readaptar suas rotinas pessoais.

Fonte: Valor Econômico
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