Remuneração de administradores foi mantida durante a pandemia

Remuneração de administradores foi mantida durante a pandemia

Publicado em 23 de fevereiro de 2022

Estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) comparou dados de 2020 com 2018.

Com a pandemia reforçando a temática de custos, a remuneração de administradores ficou praticamente estável em 2020, na comparação com 2018, é o que diz estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) divulgado nesta quarta-feira. A entidade avaliou dados de 268 empresas que divulgam tais números por meio dos seus formulários de referência.

A remuneração média anual dos conselheiros de administração ficou em R$ 555 mil em 2020, queda de 2,43% na comparação com o levantamento de 2018. Já a dos diretores estatutários caiu 1,77%, a R$ 2,9 milhões médios por ano. Por fim, a média anual dos conselheiros fiscais ficou em R$ 121,9 mil, baixa de 1,47% sobre a última pesquisa.

Luiz Martha, gerente de pesquisa do IBGC, explica ao Valor que não há como fazer análise qualitativa dos dados pois exigiria um trabalho de pesquisa muito mais intenso do que a coleta dos números disponíveis nos arquivos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Nós temos algumas limitações das explicações e acabamos fazendo algumas suposições para interpretar os resultados, já que não é objeto da pesquisa entender a fundo as remunerações e sim mostrar o panorama do mundo das remunerações para as empresas”, comenta.

Por ter sido o primeiro ano de pandemia, Martha acredita que a estabilidade das remunerações em dois anos mostra o trabalho que as companhias tiveram para conter caixa em meio às incertezas que o período trouxe. “As empresas também não poderiam cortar salários por conta do trabalho intenso que os administradores tiveram.”

Esse fator aliado à menor lucratividade no ano, importante para determinar a parcela variável na remuneração dos administradores, podem ser possíveis explicações para as leves reduções nos valores de remuneração fixa e total encontrados na amostra, pondera o gerente de pesquisa do IBGC.

Utilizando a mediana dos resultados, menos impactada por valores extremos do que a média, presidentes de conselho recebem em geral 1,9 vez mais do que a média paga aos demais conselheiros. Já os diretores-presidentes costumam receber cerca de 2,2 vezes mais do que outros diretores estatutários.

“Essa diferença é entendível e explicada pelo volume de trabalho que os presidentes exercem dentro da companhia, que normalmente exige maior dedicação e esforço que outros conselheiros ou diretores estatutários”, comenta Martha. Já a remuneração do conselheiro fiscal fica atrelada à regra dos 10% da remuneração média dos diretores.

Um ponto que chamou a atenção do gerente de pesquisa do IBGC foi que a remuneração total média dos conselheiros de empresas do segmento Novo Mercado da B3 subiu 20,3% na comparação com o estudo de 2018, a R$ 621,9 mil, um dos poucos indicadores que subiram entre as pesquisas.

“Acredito que possa estar atrelado ao aumento de empresas de capital aberto no segmento, que exige um conselho estruturado, elevando a briga por conselheiros qualificados e, por consequência, as remunerações que essas companhias precisam desembolsar”, comenta.

Em termos geográficos, Martha destaca que o Nordeste fica em segundo lugar nas remunerações médias totais para as três categorias analisadas, conselheiro, diretores estatutários e conselheiros fiscais, atrás do Sudeste, que concentrou a maior parte das empresas que compõem a amostra.

“Temos que levar em conta que o Nordeste tem empresas bem grandes, de setores importantes como petróleo e gás, saúde, educação, imobiliário, o que empurra os números para cima”, comenta. Ele pondera que muitas dessas empresas são registradas na região, mas com sede administrativa no Sudeste, o que pode distorcer os números.

Dentro da temática dos assuntos de governança ambiental, social e corporativa (ESG, na sigla em inglês), o gerente de pesquisa do IBGC destaca a importância da pesquisa como arma para acionistas e tomadores de decisão ficarem atentos para remunerações muito discrepantes e que possam indicar riscos de governança nas empresas.

“Um diretor ou conselheiro receber uma remuneração muito mais alta ou muito mais baixa que os números médios é um sinal de alerta bem grande. De um lado, precisa ser visto se o executivo não está definindo seu próprio salário, bonificações variáveis, e do outro o que acontece para a empresa não valorizar seus executivos”, alerta.

Fonte: Valor Econômico
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