13 abr Reter líderes seniores é um desafio para as organizações do setor de serviços financeiros
Reter líderes seniores é um desafio para as organizações do setor de serviços financeiros
Segundo pesquisa da Russell Reynolds Associates, 48% dos gestores de empresas de serviços financeiros estão dispostos a sair de onde trabalham.
Quase metade (48%) dos líderes seniores do setor de finanças está disposta a sair da empresa onde trabalha, segundo uma pesquisa realizada pela Russell Reynolds Associates, consultoria de desenvolvimento e busca de altos executivos. O dado faz parte do estudo “Da grande demissão à grande incerteza – Retendo líderes seniores no setor de serviços financeiros”, obtido com exclusividade pelo Valor.
No levantamento, que ouviu 1.500 profissionais do alto escalão de 46 países, inclusive o Brasil, 74% dos executivos do setor de serviços financeiros relataram um aumento na rotatividade de talentos no último ano – o maior índice entre todas as áreas consultadas pelo estudo, que inclui consumo, saúde e tecnologia, entre outras. Entre os motivos apontados pelos profissionais para se desligarem de suas atuais empresas estão as baixas expectativas de crescimento profissional, de aumento salarial ou de reconhecimento. A falta de confiança na alta liderança ou de sinergia com a equipe e a cultura da empresa, além da busca por equilíbrio emocional e maior flexibilidade no modelo de trabalho, também são fatores que impulsionam o turnover no setor.
Além disso, 61% dos profissionais de serviços financeiros que responderam a pesquisa afirmam ter como objetivo se tornar Chief Executive Officer (CEO). No entanto, apenas 20% enxergam um caminho claro para alcançar a posição em suas atuais organizações.
Fernando Machado, consultor da Russell Reynolds Associates, revela que os processos de sucessão do CEO em serviços financeiros não costumam ser muito transparentes, o que desanima alguns profissionais. “As pessoas que têm o potencial de fazer esse movimento de carreira não sabem muito claramente como isso funciona. Essa é uma das principais causas que fazem com que os executivos que estão nesse nível altíssimo da organização questionem se faz sentido continuar no banco”, explica.
Machado conta que aqueles que resolvem deixar seus empregos, em geral, tendem a migrar para outras instituições financeiras. “Se for um profissional de negócios, também é possível ir para outro tipo de mercado como, por exemplo, fundos de private equity, assets ou family offices”. Já quem tem uma função corporativa costuma encontrar espaço para ocupar o mesmo cargo, mas em indústrias diferentes. “Nesses casos, existe certa comunicação com outros setores”, diz.
Entre as ações que os bancos podem tomar para reter esses profissionais, Machado destaca a criação de programas de desenvolvimento de lideranças organizados e estruturados, para que a instituição mostre às pessoas que realmente se importa com suas carreiras. “No Brasil, algo interessante que os grandes bancos têm feito é uma troca de cadeiras entre os profissionais.”
Segundo o especialista, essa é também uma forma de desenvolver o executivo em uma área em que ele ainda não tem experiência. “Inclusive, isso pode preparar a pessoa para que ela seja um possível candidato no momento em que o processo de sucessão do CEO for iniciado”, detalha.
O consultor ressalta ainda que é importante a organização ter um processo de sucessão do CEO com critérios claros de escolha, além de comunicar aos executivos que vão pleitear essa posição quais são as oportunidades e desafios que a empresa está lidando naquele momento, e quais características técnicas e comportamentais o profissional precisa apresentar para ter sucesso nessa cadeira. “As pessoas devem sentir que estão sendo tratadas de maneira justa e precisam confiar nas decisões da empresa. Isso passa por entender os processos de promoção e de desligamento da companhia”, ressalta.
E quais são os pontos que os bancos levam em consideração na hora de promover alguém a CEO? De acordo com Machado, um dos principais quesitos é a capacidade de liderança. “É preciso que esse profissional já tenha liderado muitas pessoas e que o estilo de liderança desse executivo consiga fazer as engrenagens funcionarem.”
Outra questão avaliada, segundo o especialista, é se a pessoa conseguiu entregar resultados consistentes ao longo de sua trajetória e de que forma isso aconteceu, já que para ser CEO é necessário pensar de maneira estratégica e, também, operacional. “O profissional precisa ter sido exposto a diversos desafios relevantes em sua carreira, ser capaz de pensar o negócio estrategicamente e, ao mesmo tempo, fazer com que sua equipe atinja seus objetivos de forma pragmática.”
Por fim, Machado lembra que é essencial saber se relacionar e influenciar todos os stakeholders. “O candidato deve mostrar que é capaz de gerir e navegar por diferentes situações como, por exemplo, em reuniões de conselho, com acionistas, investidores, analistas de research do mercado e reguladores”, diz. “E, é claro, ter ética, valores e estar conectado com os temas importantes da atualidade.”
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