17 mar Retorno ao trabalho presencial sem dias fixos e por demanda
Retorno ao trabalho presencial sem dias fixos e por demanda
Yara Brasil definiu um formato de expediente híbrido sob demanda para os funcionários que estavam em home office.
Um modelo híbrido de expediente pode atribuir novas funções aos escritórios, sem prejudicar a produtividade ou a conexão dos funcionários com a cultura da empresa. Quem garante é Flávia Porto, diretora de RH da Yara Brasil, na live de estreia da nova temporada da série RH 4.0 do “Carreira em Destaque”, mediada pela editora de Carreira do Valor, Stela Campos.
A gigante do setor de fertilizantes, com 6,2 mil funcionários, iniciou um trabalho para “ressignificar” o papel dos ambientes corporativos durante a pandemia. “Estabelecemos um formato de produção baseado em ‘rituais’ e não em dias de home office determinados na semana”, explica. “Assim, a ida dos funcionários à empresa é vinculada às atividades que se beneficiam do contato presencial, como reuniões, treinamentos e decisões colegiadas”, disse a executiva, há três anos na Yara Brasil.
A definição do novo modelo de expediente aconteceu no início do ano, após a realização de pesquisas e do estudo de um programa piloto, feito em 2021, com 40 empregados voluntários e vacinados contra a covid-19. Um levantamento interno com 2,1 mil funcionários em home office, realizado em dezembro do ano passado, indicou o expediente híbrido sob demanda, sem dias definidos, como o preferido: 62% selecionaram essa alternativa como primeira ou segunda opção. “O maior desafio foi adaptar as necessidades dos profissionais e das áreas a uma nova fase de trabalho.”
Para isso, a executiva, que assumiu a diretoria de RH no ano passado, em plena pandemia, elegeu várias formas de “escutar” as equipes sobre a jornada híbrida ideal. “Analisamos estudos do mercado, ouvimos as lideranças e colegas do setor de recursos humanos.”
As ações também foram balizadas com a análise de dados recebidos por meio de uma ferramenta batizada de “Termômetro do bem-estar”, sistema que usou desde formulários de pesquisa eletrônicos até robôs em aplicativos de mensagens para coletar as opiniões do quadro.
Hoje, todo funcionário que vai à empresa, para uma reunião ou uma tarefa individual, precisa reservar um espaço via app. “Ninguém mais tem mesa fixa”, diz Porto, lembrando que, mesmo com a mudança, a companhia não se desfez de nenhuma laje.
A Yara Brasil tem um escritório central em São Paulo (SP), um centro de excelência em Porto Alegre (RS) e fábricas em Paulínia (SP), Rio Grande (RS) e Ponta Grossa (PR), além de unidades misturadoras em 16 municípios.
Para que a nova fórmula de entregas e de presença nas baias tenha mais chance de sucesso, a organização aposta no equilíbrio. “Definimos que, de acordo com os objetivos de cada profissional, a quantidade de dias a distância não seja tão alta a ponto de atrapalhar a convivência e a adesão à cultura corporativa, nem tão baixa a fim de que o funcionário aproveite as vantagens do home office.”
Na prática, é recomendado, no mínimo, que o trabalho presencial exista pelo menos por dois dias no mês e, no máximo, não mais que três vezes na semana. Até agora, os dias mais concorridos para reservar salas de reunião e estações de trabalho são as terças, quartas e quintas-feiras. O “retorno” com essa configuração foi liberado desde 14 de março.
“Padrões que obrigam as pessoas a irem ao escritório em dias fixos não entregam um melhor engajamento”, justifica. “Esperamos que, até o final de abril, todos os funcionários tenham acessado o ambiente físico da companhia pelo menos uma vez.”
A meta com esse novo desenho, diz a diretora, é extrair a melhor experiência de todos. “Como oferecer mais flexibilidade para as pessoas que estão em casa ou entregar as vantagens do escritório, como a infraestrutura e a interação com os colegas, quando operam da empresa.”
Em 2021, Flávia Porto se tornou a primeira mulher negra a conquistar uma cadeira no comitê executivo da Yara Brasil. O grupo de origem norueguesa, com 17 mil funcionários e operações em mais de 60 países, tem como meta global atingir 35% de participação feminina em toda a companhia até 2025. No Brasil, 22% da força de trabalho são de mulheres. Nas posições de liderança, 20% das cadeiras são ocupadas por executivas.
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