Revisões do PIB pioram cenário do desemprego em 2022

Revisões do PIB pioram cenário do desemprego em 2022

Publicado em 27 de setembro de 2021

A taxa de desocupação no ano que vem deve ser menor que a deste ano, mas maior que a esperada há algumas semanas.

A taxa de desemprego em 2022 deve ser menor que a de 2021, mas maior que a esperada há algumas semanas, quando as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) superavam 2%. Agora, com as estimativas para a atividade em queda, economistas começam a ver um mercado de trabalho mais fraco que o esperado antes. A população ocupada deve crescer, mas numa magnitude menor, enquanto a população economicamente ativa (que está empregada ou em busca de uma vaga) deve voltar ao nível pré-pandemia.

O primeiro trimestre de 2022 ainda deve ver resquícios de uma melhora da atividade no fim de 2021, mas o crescimento mais moderado ao longo do ano deverá tirar força também do mercado de trabalho, diz o economista Caio Napoleão, da MCM Consultores. “A partir do ano que vem devemos continuar a ver um declínio gradual da desocupação, mas num ritmo mais lento. Essa curva [de queda do desemprego] deve ficar mais ‘flat [estável]’”, diz.

Haverá aumento de ocupação, porque, apesar de mais fraca do que o esperado, a economia ainda vai crescer”, afirma Napoleão. A MCM reduziu a estimativa do PIB de 2022 de crescimento de 2,1% para 1,4%. No cenário da MCM, a taxa média de desemprego voltará ao nível pré-pandemia – em torno de 11% – somente em 2023, e o nível de equilíbrio, pouco superior a 10%, deve ser atingido somente em 2025.

Já a XP chegou a prever taxa de 11,5% para o fim de 2022, em termos dessazonalizados, mas agora estima 12,3% no período. A casa reduziu a estimativa do PIB do próximo ano de 2,3% para 1,7%. “Vemos uma população ocupada crescendo menos, e não alteramos nossa estimativa de força de trabalho. Com um crescimento menor, o nível de emprego vai aumentar, mas de forma mais modesta”, afirma Rodolfo Margato, economista da XP.

A casa espera que a população ocupada total retorne ao nível do início de 2020, de cerca de 95 milhões de ocupados, apenas no fim do ano que vem, ante uma expectativa anterior que via este número na virada do segundo para o terceiro trimestre. Já a força de trabalho também volta a 106,9 milhões, em dezembro.

Outra instituição que cortou a estimativa para o PIB – de 1,5% para 0,5% – e por causa disso revisou as estimativas de taxa de desemprego de 12% para 12,5% ao final de 2022 foi o Itaú Unibanco. Na média do período, a projeção para a taxa de desemprego do banco subiu de 12% para 12,3%. Não é um cenário muito melhor que o de 2021, de 12,1% no fim do ano e de 13,3% na média do ano.

A LCA Consultores reduziu a expectativa para o PIB de 2% para 1,7% e, por isso, a estimativa da taxa de desemprego média para 2022 subiu de 11,8% para 12,1%. A população ocupada, que deveria crescer 6,8% agora deve subir 5,7%, nas estimativas da casa.

Quanto ao emprego formal especificamente, Margato, da XP, estima que depois do forte crescimento previsto para este ano, com 1,45 milhão de vagas, a criação de postos deve recuar para 700 mil em 2022, quando os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) devem convergir com as contas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, uma pesquisa amostral que abrange o mercado formal e informal.

Mas, se o saldo de postos formais deve continuar positivo, o ano deve seguir desafiador para a renda, como tem sido em 2021. Dados do Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostram que o reajuste mediano das negociações salariais coletivas (acordos e convenções) ficou 1,4 ponto percentual abaixo da inflação acumulada em 12 meses até agosto.

A perda real de 1,4 ponto é maior que a registrada em anos de recessão, como 2015 e 2016. Segundo a Fipe, a inflação projetada pelas próximas datas-base, próxima de 10%, vai comprimir ainda mais o espaço para ganhos reais. A inflação deve desacelerar em 2022, mas no início do segundo semestre do próximo ano ainda estará acima de 6% em 12 meses. Margato diz que, apesar da previsão de descompressão em 2022, a inflação ainda terá impacto sobre a renda dos ocupados. Em parte por causa da base de comparação, em parte pelo aumento da população ocupada, a massa de renda do trabalho efetivo deve subir 2,5% em 2022, mas insuficiente para compensar o tombo de 2020 (-7,5%) e 2021 (-1%).

Já a massa ampliada, que leva em conta não só a renda do trabalho, mas benefícios da Previdência, Bolsa Família e outros pagamentos, como o auxílio emergencial, deve crescer apenas 1,5%, depois de cair 10% em 2021 ante 2020, ano em que o governo pagou cerca de R$ 300 bilhões em auxílio. “Esse crescimento em 2022 aponta um desempenho modesto para o consumo”, diz o economista.

Fonte: Valor Econômico
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