Reynaldo Lima defende negociação coletiva como caminho para modernizar as relações de trabalho em audiência no Senado

Reynaldo Lima defende negociação coletiva como caminho para modernizar as relações de trabalho em audiência no Senado

Publicado em 2 de julho de 2026

Presidente da FENACON participou do debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 e apresentou propostas para conciliar qualidade de vida dos trabalhadores, segurança jurídica e competitividade das empresas.

O presidente da FENACON e diretor da Central Brasileira dos Setores de Serviços (Cebrasse), Reynaldo Lima Jr., participou, nesta terça-feira (1/7), de audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1. Em sua manifestação, representando a Federação e a Cebrasse, defendeu que a modernização das relações de trabalho deve ocorrer de forma equilibrada, preservando empregos, garantindo segurança jurídica e respeitando as diferentes realidades dos setores econômicos.

Na abertura dos trabalhos, o senador Laércio Oliveira destacou que a proposta exige um debate amplo e responsável, diante dos impactos que poderá produzir sobre trabalhadores, empresas e a economia. Segundo o parlamentar, a audiência pública foi estruturada para ouvir representantes dos mais diversos segmentos da sociedade, reunindo mais de 50 entidades ao longo das discussões sobre o tema. “Nosso compromisso é construir um texto equilibrado, ouvindo todos os lados, porque uma mudança dessa dimensão precisa considerar tanto a proteção do trabalhador quanto a preservação dos empregos e da atividade econômica”, afirmou o senador durante a abertura da sessão.

Durante sua apresentação, Reynaldo destacou que a FENACON compartilha do objetivo de promover melhores condições de trabalho e mais qualidade de vida aos trabalhadores brasileiros. No entanto, ressaltou que mudanças estruturais na legislação precisam estar alinhadas ao aumento da produtividade e considerar os impactos econômicos sobre empresas de todos os portes, especialmente as micro e pequenas, responsáveis pela maior geração de empregos no país.

Ao apresentar a visão da Federação, o presidente explicou que os profissionais da contabilidade acompanham diariamente a realidade financeira das empresas e, por isso, conseguem avaliar de forma prática os efeitos que alterações na legislação trabalhista podem produzir. Segundo ele, propostas que restringem a flexibilidade na gestão das jornadas podem elevar custos operacionais, dificultar a adaptação dos negócios e comprometer a competitividade de diversos segmentos da economia.

Como alternativa, Reynaldo Lima reforçou que a FENACON entende existir um caminho mais eficiente para aperfeiçoar as relações de trabalho. “Somos favoráveis ao aperfeiçoamento das relações de trabalho e ao aumento da qualidade de vida dos trabalhadores. Mas defendemos que isso ocorra por meio da negociação coletiva.” Segundo ele, esse instrumento permite adaptar soluções às características de cada setor, empresa e região, garantindo uma implementação gradual, acompanhando os ganhos de produtividade, preservando empregos, fortalecendo a segurança jurídica e protegendo a competitividade das empresas brasileiras. A entidade também manifestou apoio à modernização da legislação trabalhista nos moldes propostos pela PEC 12/2026, por entender que ela oferece um modelo mais equilibrado para promover relações de trabalho sustentáveis e compatíveis com o ambiente econômico.

Na conclusão de sua participação, o dirigente fez um alerta sobre a necessidade de que o debate considere a sustentabilidade econômica das empresas. “Os contadores conhecem a realidade das empresas porque acompanham diariamente sua saúde financeira. Sabemos que empregos não são criados por leis. Empregos são criados por empresas economicamente viáveis.” Para Reynaldo, o grande desafio do Parlamento é construir uma solução que eleve a qualidade de vida dos trabalhadores sem comprometer justamente aqueles que investem, produzem e geram oportunidades em todo o país.

A audiência pública se estendeu por mais de oito horas de debates e reuniu senadores, deputados, representantes do Governo Federal, especialistas em Direito do Trabalho e Economia, centrais sindicais, confederações empresariais e entidades representativas de diversos setores produtivos.

Fonte: Fenacon
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