Rio tem a menor taxa de desemprego em seis anos

Rio tem a menor taxa de desemprego em seis anos

Publicado em 11 de setembro de 2023

Cidade fecha o ano com 10,1% de desocupação, resultado melhor que o do Estado do Rio de Janeiro, mas abaixo da média nacional.

O desemprego na cidade do Rio de Janeiro encerrou 2022 com a menor taxa em seis anos. Levantamento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação (SMDEIS) do Rio, divulgado ao Valor, apurou taxa de 10,1% no município fluminense, no ano passado.

 Foi inferior à de 2021 (14,6%) e a menor desde 2018 (8,2%) na cidade, de acordo com o mesmo estudo, feito com base em dados da Pnad Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e denominado “Taxa de Desemprego do Rio 2002-2022”. No mesmo trabalho, a secretaria informou ainda que, embora ainda acima média anual do país, para 2022 (9,3%), a taxa de desemprego carioca referente ao ano passado foi inferior à do Estado do Rio (12,8%).

Além disso, os resultados indicam que a taxa média de desemprego entre 2002 e 2022 do município foi de 9,32%, mais baixa do que do Estado do RJ (11,6%) e do Brasil (9,7%) para mesmo período.

A ideia por trás do estudo, um panorama do mercado de trabalho na cidade em 20 anos, é de prover mais dados, com séries mais longas, sobre o mercado de trabalho no Rio, e informações comparáveis com taxas veiculadas para o Estado do Rio e o Brasil, disse a secretaria. Desde 2012, o IBGE divulga dados oficiais de emprego sob a ótica da Pnad Contínua Trimestral, e não mais pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), extinta. Então, o que se costuma fazer é “construir” séries para trás, utilizando dados e metodologias existentes, compatibilizando informações numa metodologia única – o que foi feito no estudo da SMDEIS.

O levantamento comprovou que o mercado de trabalho do Rio sofreu duro golpe com a crise causada pela pandemia. No primeiro trimestre de 2020, início da disseminação de covid-19 no país, a taxa de desemprego no Rio foi de 16,8%. Embora inferior à do Estado do Rio (19,3%), ficou bem acima da média nacional para o mesmo período, de 14,9%.

“Essa taxa reflete também um momento de instabilidade, com falta de credibilidade para atrair investimento de longo prazo”, disse Chicão Bulhões, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação.

Para ele, o empresário só abre vagas quando sente confiança no ambiente de negócios para investir. “Nenhum empresário toma decisões se tem instabilidade, se tem dúvidas ou acha que vai ter mudanças em regulação” afirmou.

Bulhões reconheceu ainda que os anos de recessão no país de 2015 e de 2016 afetaram o ritmo de emprego na capital, com reflexo na taxa de desemprego, que ficou mais alta. No estudo da secretaria, o Rio começou a apresentar taxa de desemprego acima de dois dígitos em 2017 – algo que não acontecia desde 2004 (10,1%).

“Nossa meta é chegar à faixa de 8% em 2024”, afirmou. Para 2023, a expectativa é “manter a taxa a menor possível”. Para atingir esses objetivos, o secretário aposta em uma política agressiva de atração de negócios à cidade, para amealhar mais eventos e projetos, que atraiam empreendedores e, com isso, mais emprego.

Mauro Osório, economista, professor da UFRJ e membro fundador do Instituto de Estudos do Rio de Janeiro-IERJ, acredita que o Rio tem potencial para alavancar emprego, nos próximos anos. Ele aposta em áreas como o complexo Saúde e petróleo e gás, que podem acelerar o ritmo de mercado de trabalho na cidade. “Temos ainda o novo PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] do governo federal que vai alocar investimentos no Rio”, acrescentou.

Ele faz uma ressalva. A cidade do Rio ainda tem longo caminho para que o mercado de trabalho volte ao que era no passado. “Tivemos uma reação sim em 2022 [no mercado de trabalho] e temos perspectivas interessantes”, admitiu. “Mas também temos, na cidade do Rio, 344.268 vagas a menos do que tínhamos em dezembro de 2014, até período acumulado em 12 meses até julho, de acordo com dados do Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados] ”, disse. “Temos uma crise muito pesada aí para resolver” disse. Para ele, vai levar tempo até que o emprego no Rio registre patamar equivalente ao que era antes da recessão.

Fonte: Valor Econômico
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