Saída de dirigente da Fiesp pode pacificar entidade

Saída de dirigente da Fiesp pode pacificar entidade

Publicado em 15 de dezembro de 2022

Substituto seria definido com base em estatuto da entidade.

A eventual renúncia do empresário Josué Gomes da Silva à presidência da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) para assumir o futuro Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) ajudaria a pacificar a crise formada entre o presidente da entidade e sindicatos da indústria. Essa é a opinião de empresários ligados à federação ouvidos pela reportagem, tanto a favor como contra o dirigente. Josué foi convidado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para comandar o ministério. Não há, entretanto, um substituto automático para Josué na Fiesp.

Se aceitar o convite de Lula, o empresário será obrigado a renunciar à presidência da Fiesp e, conforme dispõe o regramento da instituição, indicar um dos três vice-presidentes eleitos da entidade para comandá-la.

O estatuto da Fiesp estabelece que “no caso de necessidade de renúncia do presidente”, caberá a ele escolher o seu substituto entre o 1º, 2º e 3º vice-presidentes da entidade. O nome de Rafael Cervone, 1º vice-presidente, é apontado como potencial indicado de Josué a assumir o comando da entidade, relatam fontes próximas do empresário ouvidas pelo Valor.

Interlocutores do empresário Dan Ioschpe, 2º vice-presidente, afirmam que ele não está interessado em assumir a presidência da Fiesp. Presidente do conselho de administração da Ioschpe-Maxion, uma das maiores empresas de autopeças do país, o empresário já acumula a incumbência de presidir o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

O 3º vice, Marcelo Ometto, de tradicional família do setor de açúcar e etanol e conselheiro do grupo sucroenergético São Martinho, também não estaria disposto a assumir a gestão da maior federação das indústrias do país, conforme relatam fontes.

Eleito presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) no ano passado, o empresário Rafael Cervone comanda a entidade que tem 8 mil indústrias associadas em todo o Estado de São Paulo. Oriundo do ramo têxtil, o empresário também atuou na Fiesp na gestão de Paulo Skaf, que presidiu a federação por 17 anos consecutivos.

Caso não aceite o convite do presidente Lula para assumir o ministério, Josué terá de administrar a crise institucional da Fiesp. Fontes afirmaram ao Valor que o empresário começou a intensificar conversas com sindicatos nas últimas semanas. Ele contratou o ex-ministro Miguel Reale Jr. como assessor jurídico para representá-lo nessa discussão.

O conselho de representantes da Fiesp convocou delegados da entidade a participarem de assembleia extraordinária marcada para 21 de dezembro para “analisar as condutas” de Josué sobre “eventual quebra do dever de diligência”. Eles questionam o modo como o atual dirigente tem conduzido a Fiesp e reclamam de um suposto desinteresse do empresário por demandas consideradas prioritárias pelos sindicatos. Josué também seria pouco acessível e menos propenso a receber filiados para discutir demandas, conforme relatam as fontes.

Empresário da Coteminas, Josué Gomes venceu a eleição para presidente da Fiesp com chapa única em 5 de julho de 2021 para exercer mandato de quatro anos que teve início em 1º de janeiro de 2022.

A candidatura de Josué foi articulada por Skaf, então presidente da Fiesp. Em outubro, contudo, representantes de sindicatos iniciaram reuniões com o ex-presidente para discutir a hipótese de Josué deixar o comando da entidade.

O descontentamento dos dirigentes da Fiesp começou a ganhar corpo em agosto, quando a Fiesp divulgou uma carta aberta em defesa da democracia. Josué compareceu a ato organizado no Largo São Francisco em que o documento da Fiesp foi lido pelo ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, no dia 11 de agosto.

Na hipótese de uma destituição, o conselheiro mais velho da Fiesp terá de convocar uma assembleia para escolher um dos três vice-presidentes da entidade. Têm direito a voto 111 dirigentes de um total de 130 sindicatos patronais que integram a Fiesp.

Fonte: Valor Econômico
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