Salário mínimo teria correção acima da inflação, acena Bolsonaro após plano de Guedes

Salário mínimo teria correção acima da inflação, acena Bolsonaro após plano de Guedes

Publicado em 24 de outubro de 2022

Presidente e candidato à reeleição fala em “aumento real” depois de vazamento de troca de fórmula de reajuste.

A intensa repercussão do plano do ministro da Economia, Paulo Guedes — inclusive de versões deturpadas  —, fez o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) prometer “aumento real, mais do que a inflação” para o salário mínimo.

 — O Paulo Guedes fala muito em desindexação da economia. E daí, no bolo, o que ele quer desindexar? O percentual fica indefinido. No momento, você tem a garantia de no mínimo (…) no mínimo vai ter um aumento real, mais do que a inflação — disse na noite de quinta-feira (21) em entrevista a um podcast.

A frase não chega a representar um compromisso que possa ser cobrado — se fosse, também nada garantiria, dada a natureza das promessas de qualquer candidato. É mais uma tentativa de consertar o estrago que o vazamento do plano provocou, em parte por reproduções  imprecisas. Ao mencionar desindexação, um tema tão caro a Guedes, ajuda a explicar por que o plano faz sentido na lógica do Ministério da Economia, que advoga ainda desvinculação e desoneração.

A proposta de Guedes que havia sido detalhada pelo jornal Folha de S.Paulo e pelo serviço Broadcast do Estadão previa substituir a correção do salário mínimo – e portanto dos benefícios da Previdência atrelados a esse piso – da inflação passada, ou seja, o INPC do ano anterior, pela futura.

Como é difícil adivinhar quanto será a inflação futura, o plano previa, “no mínimo”, correção pela meta de inflação, que sempre é definida com antecedência. No entanto, na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e nas redes sociais, predominou a versão de salários e aposentadorias não teriam mais qualquer reajuste, o que não era correto.

O risco que a troca embute é a perda de poder de compra desses pagamentos, inclusive porque a meta de inflação não é cumprida desde 2020. Ainda assim, o IPCA de 4,52% ultrapassou o centro da meta, de 4%, ficando dentro da margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo na época.

Na tentativa de projetar o efeito da medida, a coluna fez a seguinte estimativa: se o plano fosse aplicado no próximo ano, em vez de um reajuste por volta de 5,6% (mais recente projeção do Boletim Focus para o acumulado em 2022), o salário mínimo seria corrigido em 3,25%, centro da meta já fixado para 2023. Em valores, seria trocar um piso de R$ 1.278,87 por R$ 1.251,39 (no orçamento enviado ao Congresso, o mínimo previsto é de R$ 1.302, com projeção de alta do INPC de 7,4%, que deve ser menor devido aos cortes das alíquotas de ICMS sobre gasolina e energia).

Ainda na tarde de quinta-feira, Guedes havia afirmado que seria “fake news” a informação de que não haveria qualquer reajuste. Confirmou o plano de desindexar o salário mínimo e aposentadorias, mas afirmou seriam “corrigidos pelo menos pela inflação”. Mas não esclareceu se seria pela alta de preços passada ou futura, o ponto crucial da proposta. 

Fonte: Gaúcha GZH
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