Salário tem em julho maior perda real em um ano

Salário tem em julho maior perda real em um ano

Publicado em 25 de agosto de 2021

Defasagem foi de 1,6% na média dos reajustes, aponta boletim Salariômetro.

Julho foi o pior mês, dos últimos 12, para os trabalhadores nas negociações salariais, e não há perspectiva de um cenário favorável nem para o início do ano que vem, aponta o Boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Com um reajuste mediano de 7,6% em julho, mas uma inflação de referência acumulando 9,2%, houve perda real nos salários de 1,6%. “É uma situação muito triste, mas era previsível”, diz Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e coordenador do Projeto Salariômetro.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – que mede a inflação para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos e, por isso, é o indicador usado como parâmetro nas negociações salariais – sente mais com aumentos de preços em despesas domésticas, como alimentação e energia, que estão pressionadas, observa Zylberstajn.

Além da “inflação nas alturas”, o professor avalia que a taxa de crescimento da economia é fraca. “Essa mistura é o pior dos mundos para os trabalhadores. É uma situação muito ruim e a conta acaba no fim da fila”, afirma.

As empresas, segundo Zylberstajn, não conseguem repor a inflação nos salários porque, se o fizessem, teriam de repassar custos ao consumidor, mas não há espaço para isso na demanda, afirma. “Se o mercado de trabalho estivesse bombando, as empresas teriam que dar mais, senão o funcionário vai embora, mas o desemprego está alto. O que todos precisam se empenhar é para manter empregos”, diz o economista.

Projeções dos bancos Itaú Unibanco e Santander indicam um INPC crescente até setembro, quando deve passar de 10%. Depois, o índice deve cair gradualmente, mas Zylberstajn nota que, pelo menos até março do ano que vem, ele deve rodar acima de 7%. “A não ser que a atividade melhore muito, o espaço para reajustes reais é muito reduzido”, afirma, lembrando que analistas estão mais pessimistas em relação à atividade no próximo ano.

Fonte: Valor Econômico
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