25 ago Salário tem em julho maior perda real em um ano
Salário tem em julho maior perda real em um ano
Defasagem foi de 1,6% na média dos reajustes, aponta boletim Salariômetro.
Julho foi o pior mês, dos últimos 12, para os trabalhadores nas negociações salariais, e não há perspectiva de um cenário favorável nem para o início do ano que vem, aponta o Boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Com um reajuste mediano de 7,6% em julho, mas uma inflação de referência acumulando 9,2%, houve perda real nos salários de 1,6%. “É uma situação muito triste, mas era previsível”, diz Hélio Zylberstajn, professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e coordenador do Projeto Salariômetro.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – que mede a inflação para famílias com renda entre um e cinco salários mínimos e, por isso, é o indicador usado como parâmetro nas negociações salariais – sente mais com aumentos de preços em despesas domésticas, como alimentação e energia, que estão pressionadas, observa Zylberstajn.
Além da “inflação nas alturas”, o professor avalia que a taxa de crescimento da economia é fraca. “Essa mistura é o pior dos mundos para os trabalhadores. É uma situação muito ruim e a conta acaba no fim da fila”, afirma.
As empresas, segundo Zylberstajn, não conseguem repor a inflação nos salários porque, se o fizessem, teriam de repassar custos ao consumidor, mas não há espaço para isso na demanda, afirma. “Se o mercado de trabalho estivesse bombando, as empresas teriam que dar mais, senão o funcionário vai embora, mas o desemprego está alto. O que todos precisam se empenhar é para manter empregos”, diz o economista.
Projeções dos bancos Itaú Unibanco e Santander indicam um INPC crescente até setembro, quando deve passar de 10%. Depois, o índice deve cair gradualmente, mas Zylberstajn nota que, pelo menos até março do ano que vem, ele deve rodar acima de 7%. “A não ser que a atividade melhore muito, o espaço para reajustes reais é muito reduzido”, afirma, lembrando que analistas estão mais pessimistas em relação à atividade no próximo ano.
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