12 set Salários continuarão a encolher, alerta OCDE
Salários continuarão a encolher, alerta OCDE
A contração salarial continuará sob efeito de uma inflação que deverá permanecer alta e bem superior ao nível previsto nos acordos coletivos deste ano, avalia a OCDE.
Os salários reais deverão diminuir neste ano em países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apesar da escassez de mão de obra em alguns mercados, diz a entidade sediada em Paris.
Os 38 países da OCDE criaram 66 milhões de empregos desde abril de 2020, ou nove milhões a mais dos que aqueles que foram destruídos no início da pandemia de covid-19. A taxa de desemprego na OCDE se estabilizou em 4,9% em julho, ou 0,4% a menos que em fevereiro de 2020, antes da pandemia. O número de desempregados é de 33 milhões, ou 2,4 milhões a menos que antes da covid.
Mesmo assim, a OCDE qualifica como tensa a situação do mercado de trabalho em boa parte de seus países membros. Na União Europeia (UE), três entre dez empresas indicaram que a falta de mão de obra limitou sua produção no segundo trimestre deste ano.
A escassez de trabalhadores é particularmente aguda em segmentos com baixos salários, como hotelaria e restaurantes. No primeiro trimestre, o emprego na hotelaria foi 9% inferior ao nível pré-pandemia, com menos interessados em ocupar as vagas abertas.
Mesmo nesse cenário de penúria, o crescimento dos salários nominais ficou, no geral, bem inferior à inflação elevada no primeiro semestre, o que provocou uma baixa dos salários em termos reais.
Essa contração salarial continuará sob efeito de uma inflação que deverá permanecer alta e bem superior ao nível previsto nos acordos coletivos deste ano.
A OCDE projeta quedas salariais de 6,9% na Grécia, 4,5% na Espanha, 3,1% na Itália, 2,9% no Reino Unido, 2,6% na Alemanha, 2,1% no Canadá, 2% na Austrália, 1,8% na Coreia, 0,6% nos EUA e de 0,3% no Japão neste ano. Isso sugere que a demanda continuará cair. A crise do custo de vida atinge desproporcional as famílias modestas, que devem destinar uma parte maior de sua renda para pagar a fatura de energia e de alimentos.
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