08 maio Secefergs acusa Inter por demitir funcionários “na pior hora da crise”
Secefergs acusa Inter por demitir funcionários “na pior hora da crise”
Diferente do propósito do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) celebrado entre as direções do Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense e do Sindicato dos Empregados em Clubes e Federações Esportivas do Rio Grande do Sul (Secefergs), em 29 de abril de 2020, a direção do Sport Club Internacional optou pelo caminho da demissão sumária de empregados.
As providências descritas no ACT Grêmio/Secefergs tomaram como base os termos estabelecidos na Medida Provisória 936/2020, emitida pelo Governo Federal para o enfrentamento da calamidade pública, visando preservar a saúde, o emprego e a renda do quadro funcional.
Independente da adequação cabível a cada profissional, o acordo assegura a todos os profissionais do Clube enquadrados no Piso I e II o recebimento a integralidade do salário base, durante o período de redução de jornada e/ou suspensão contratual, inclusive sob a forma de ajuda compensatória do Clube e/ou Benefício Emergencial de Preservação de Emprego e da Renda (“BEPER”).
MAU EXEMPLO
“Sem uma resposta concreta sobre o retorno das competições, o Inter escolheu o pior caminho”, protesta Miguel Salaberry Filho, presidente do Secefergs. Para o sindicalista, “o clube gaúcho transfere o ônus da crise para o lado mais fraco, que são os assalariados”. Salaberry alerta para a perda do plano de saúde, uma das maiores preocupações dos empregados, por ser um benefício de valor essencial em todos os momentos, mas especialmente na atualidade.
Inconformado, o Secefergs vai denunciar o Inter ao Ministério da Economia, por ser um dos 33 clubes esportivos que aderiu ao Profut, um programa de financiamento de débitos com a Receita Federal. A intensão do governo federal ao propor o Refis era oferecer um desconto no total devido pelos contribuintes inadimplentes em troca do compromisso na manutenção dos empregos. O sindicato levará a denúncia à Organização Internacional do Trabalho (OIT), pois acusa o Colorado de apropriação indébita do Imposto de Renda, das parcelas previdenciária do depósito do Fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS).
BOM EXEMPLO
Enquanto o clube opta pelo descaminho, o zagueiro Rodrigo Moledo, em ação conjunta com outros jogadores, organizou campanha de entrega de cestas básicas às pessoas que trabalham em jogos e eventos no Estádio Beira-Rio, ficando sem renda por conta da pandemia do novo coronavirus.
Entre os profissionais contemplados com as doações estão seguranças, equipes que atuam na limpeza e no estacionamento, além de ambulantes, que vendem alimentos e bebidas dentro do estádio. Ainda no mês de abril, mais de três toneladas de alimentos e mais de dois mil itens de limpeza foram entregues como donativos.
Dunga, Tinga e D’Alessandro, três dos maiores ídolos colorados da era recente, juntaram forças e doaram dez toneladas de alimentos em bairros carentes da capital gaúcha. O montante foi distribuído para instituições com o propósito de ajudar famílias cujas dificuldades foram agravadas pela pandemia.
REPERCUSSÃO NEGATIVA
O anúncio das demissões explodiu internamente: em solidariedade aos funcionários demitidos, o jornalista Fabiano Baldasso comunicou o desligamento da pasta de Relacionamento Social do S. C. Internacional. Na justificativa, Baldasso declarou ter mais de uma fonte de renda; “eles não”.
Multicampeão pelo Inter entre as temporadas de 2005 e 2014, com destaque para a conquista do Mundial Interclubes de 2006 e as duas Copas Libertadores da América, em 2006 e 2010, o ex-zagueiro Índio engrossa a relação de dispensados, que deve incluir mais de 60 pessoas, de diferentes áreas.
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