21 ago Semana de 4 dias pode aumentar a produtividade, diz pesquisa
Semana de 4 dias pode aumentar a produtividade, diz pesquisa
Estudo realizado em 85 países indica que profissionais que trabalham menos dias na semana são 8% mais propensos a atingir metas do que colegas com cargas horárias tradicionais.
Modelos de trabalho flexíveis podem funcionar como alavancas de produtividade. É que o indica uma nova pesquisa da Pipedrive, da área de CRM (gestão de relacionamento com o cliente). O levantamento, adiantado para o Valor, aponta que profissionais que cumprem semanas de trabalho de quatro dias são 8% mais propensos a atingir metas do que os colegas que atuam com cargas horárias tradicionais.
Já a maioria (75%) dos executivos que recorre a horas extras durante a semana apresenta um desempenho mais baixo – o que pode sinalizar que o alto volume de tempo gasto com as tarefas não significa melhores resultados no fim do dia.
O estudo, focado em profissionais de vendas e marketing, foi realizado em 85 países, entre janeiro e fevereiro de 2025. Ouviu 1.060 pessoas, sendo 254 (24%) no Brasil. Entre os respondentes, a maioria (57%) ocupa cargos de liderança, como gerentes de vendas (28%) e CEOs (25%), em empresas com até 100 funcionários (48%) – 13% atuam em companhias consideradas grandes ou com mais de 250 empregados.
“O relatório revela um cenário moldado por modelos de trabalho em constante transformação”, analisa Paulo Cunha, CEO da Pipedrive. A estratégia de investir mais tempo nos expedientes não está funcionando, afirma. “Há uma desconexão clara entre as horas trabalhadas e as metas alcançadas. Ao invés de impulsionar o desempenho, as horas extras incessantes geram um ‘subdesempenho’”.
Entre os funcionários que cumprem até 15 horas extras por semana, 55% alcançaram os objetivos de vendas, conforme o mapeamento. “Em contrapartida, aqueles que não usaram o recurso, atingiram 63% das metas”, compara. “Não se trata de trabalhar mais, mas de produzir melhor.”
Para Cunha, os dados indicam que insistir em jornadas exaustivas não traz melhores resultados – muito pelo contrário. “A recomendação para as chefias é repensar métricas de produtividade e investir em modelos de trabalho mais saudáveis”, sugere. “Equipes envolvidas com semanas de quatro dias, por exemplo, se mostraram mais eficazes e satisfeitas no estudo, o que revela que o equilíbrio [entre vida pessoal e profissional] é um ativo estratégico, não apenas um benefício das companhias.”
Os líderes também precisam estar preparados para essa “mudança de chave” na questão da flexibilidade, continua o executivo, principalmente diante das novas gerações de trabalhadores, que reafirmam a importância de dar mais espaço para a vida pessoal, ao lado de uma rotina profissional produtiva. “A pesquisa revela que o grupo de profissionais entre 18 e 25 anos é o menos propenso a fazer horas extras”, alerta.
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