Senado adia votação de projeto de desoneração da folha

Senado adia votação de projeto de desoneração da folha

Publicado em 18 de outubro de 2023

Apreciação do texto agora deve ocorrer em 24 de outubro.

 A votação do projeto de lei (PL) que prorroga até 2027 a desoneração da folha de salários para os 17 setores que mais empregam no país foi adiada a pedido da liderança do governo no Senado. Com isso, a apreciação do texto, que estava prevista para essa terça-feira, deve ocorrer agora na próxima terça-feira (24).

A proposta está em análise na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. O relator do texto, Angelo Coronel (PSD-BA), apresentou parecer contrário às alterações feitas ao texto na Câmara dos Deputados. Dessa forma, Coronel preservou apenas os trechos aprovados previamente pelo Senado. Por isso, se avançar, a matéria segue diretamente para sanção presidencial.

O adiamento ocorreu após a senadora Augusta Brito (PT-CE) apresentar pedido de vista (mais tempo para análise) de uma semana. A solicitação foi feita a pedido do líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), que precisou se ausentar em função de um problema de saúde.

Apesar de ter pedido mais prazo, a senadora classificou o relatório de Coronel como “excelente”.

Autor do projeto de lei, o senador Efraim Filho (União-PB) lamentou adiamento da votação. Segundo Efraim, é importante tratar o tema com celeridade.

“A política pública da desoneração da folha de pagamentos para gerar emprego precisa de tempo e prazo para que o setor produtivo possa ter segurança jurídica para poder planejar ampliação dos negócios, abertura de novas filiais e, portanto, a contratação de mais pessoas. É importante que a gente não jogue esse tema para o fim do ano”, disse o autor da matéria.

De acordo com Efraim, a proposta representa um “ganha-ganha”. “É boa para quem empreende, para quem emprega, é boa para quem trabalha, os sindicatos, a classe trabalhadora. E é boa, inclusive, para o governo, para evitar demissões que correm o risco de acontecer”, defendeu o parlamentar.

Presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah afirmou que a entidade trabalha pela aprovação do texto na próxima semana e que o projeto é “fundamental” para a preservação de empregos.

“Principalmente o setor de telefonia, telemarketing, tem uma quantidade muito grande de jovens, LGBTQIA+, o primeiro emprego, essa falta da desoneração poderá resultar na troca dos empregos, de trabalhadores por máquinas. Para nós, é muito importante que essa desoneração continue”, destacou Patah.

Ele frisou ainda que a questão da desoneração também deve estar prevista eventualmente na reforma tributária, inclusive com a possibilidade de ampliar a medida para mais setores.

Parte da base aliada do governo, o líder do PSD, Otto Alencar (BA), manifestou-se a favor da matéria.

Entre os setores que podem ser beneficiados pelo texto estão as indústrias têxtil, construção civil e comunicação, que têm uso intensivo de mão de obra. A medida permite que as empresas paguem alíquota de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, em vez de 20%.

A matéria também estende o benefício para municípios com a população inferior a 142,6 mil habitantes. Nesse caso, as cidades contempladas teriam a alíquota da contribuição previdenciária sobre a folha de salários reduzida de 20% para 8%.

Fonte: Valor Econômico
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