07 out Senado suspende segunda sessão de debate sobre fim da escala 6×1
Senado suspende segunda sessão de debate sobre fim da escala 6×1
Discussão sobre a proposta voltou ao plenário nessa terça-feira e terá continuidade nesta quinta-feira.
- O plenário do Senado deu início, nesta quarta-feira (7), a segunda sessão do debate da PEC 221/2019, que prevê mudanças na jornada de trabalho e o fim da escala 6×1
- A sessão durou por cerca de uma hora e foi suspensa, e será retomada com a ordem do dia
- A proposta foi aprovada em setembro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)
- A discussão terá continuidade na quinta-feira (8), a partir das 14h
- A votação deve ocorrer na próxima semana, segundo previsão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)
- Antes da votação em primeiro turno, a PEC precisa passar por cinco sessões de discussão no Plenário
- Se for aprovada em primeiro turno, a proposta ainda terá de passar por outras três sessões de discussão antes da votação em segundo turno
A discussão da PEC
A discussão teve início nesta terça-feira (6) com a maioria dos senadores inscritos para falar sendo da base do governo e favoráveis à aprovação da PEC. De outro lado, lideranças da oposição se organizaram para não marcar presença nas sessões para que, sem quórum, o fim da 6×1 não seja votado.
— Quanto vale uma hora? Porque essa redução dá menos que uma hora por dia. Quanto vale uma hora que um pai possa passar com seu filho, com a sua filha? Quanto vale uma tarde que uma filha pode dedicar à mãe idosa (…) A sociedade sabe o valor, os trabalhadores sabem — afirmou senador governista Paulo Paim (PT-RS).
Já o senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) salientou que o texto deve ser revisto a fim de não prejudicar trabalhadores autônomos:
— Deve haver algum senador, um pelo menos que tenha inteligência suficiente para apresentar alguma coisa que melhore essa PEC. E essa melhora da PEC vai ser desprezada em nome do momento eleitoral?
Os principais pontos da proposta:
- Dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos
- Salário não poderá ser reduzido por causa da diminuição da jornada
- Dois meses após a promulgação da PEC, a jornada máxima passa das atuais 44 para 42 horas semanais
- Um ano depois do fim desse primeiro período, cai definitivamente para 40 horas
Como é a tramitação no plenário
- Antes da votação em primeiro turno, a proposta precisa passar por cinco sessões de debates no plenário no Senado, que começam nesta terça-feira (6)
- Se aprovada, segue para o segundo turno, com outras três sessões de discussão até a votação definitiva
- Para aprovação, é necessário em cada turno ter votos favoráveis de três quintos da Casa, ou seja, 49 dos 81 senadores
- Uma vez aprovada no plenário, a PEC é promulgada diretamente pela presidência do Congresso
PEC colocada em pauta
Na última sexta-feira (2), antes do primeiro turno das eleições, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), anunciou que havia pautado para esta terça-feira (6) o início da votação em plenário da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
Após as votações do domingo (4), de forma geral desfavoráveis ao governo Lula, a eventual votação e aprovação da PEC é uma aposta do Planalto para dar fôlego ao petista na disputa contra Flávio Bolsonaro (PL), mas os próprios resultados da eleição ao Senado podem agora colocar em xeque a tramitação da matéria.
O anúncio da inclusão do tema na pauta foi inesperado. O próprio Alcolumbre havia anunciado, no início de setembro, que a votação seria realizada somente após as eleições.
O fim da escala 6×1 se tornou um tema de forte apelo popular nos últimos anos. Por isso, quando a proposta foi pautada na Câmara dos Deputados, em maio, já em fase de pré-campanha, teve votação favorável expressiva, com placar de 472 votos a favor e 22 contrários.
Em nota à imprensa, a Presidência do Senado destacou que o fim da escala 6×1 é um tema “de ampla relevância para a sociedade brasileira” e “será debatido com responsabilidade, equilíbrio e respeito às diferentes perspectivas envolvidas”.
De acordo com o comunicado, o Senado reafirma o “compromisso com o diálogo e com a construção de soluções que considerem os trabalhadores, o setor produtivo e o desenvolvimento econômico e social do país”.
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