Serviços e comércio seguem com crescimento no RS, mas inflação e instabilidade política acendem alerta

Serviços e comércio seguem com crescimento no RS, mas inflação e instabilidade política acendem alerta

Publicado em 16 de setembro de 2021

Indústria apresentou novo recuo em julho, mas segue líder no acumulado do ano no Estado.

Dos três principais setores da economia, dois voltaram a apresentar crescimento no Rio Grande do Sul recentemente. Serviços e comércio registraram avanço em julho, na comparação com o mês anterior, e estão em patamar acima do pré-pandemia, verificado em fevereiro de 2020.

Os dados estão presentes em pesquisas mensais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgadas nos últimos dias. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o bom desempenho deve seguir nos próximos meses, mas sofrer desaceleração no médio e longo prazo diante de problemas como instabilidade política e inflação acelerada.

Entre os três setores, serviços apresentou o melhor resultado em julho, com avanço de 3,4%, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (14). Na sequência, figuram comércio, com 1,9%, e indústria, que recuou -1,7% na produção. O cenário registrado no Estado acompanha o extrato do país.

Olhando o acumulado do ano, indústria segue com o melhor desempenho nos sete primeiros meses de 2021. O setor soma alta de 17,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior, que foi prejudicado pela pandemia, superando serviços e comércio (veja mais abaixo).

O professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do RS (UFRGS) Marcelo Portugal avalia que serviços e comércio mantêm ritmo de crescimento ao vencer parte dos efeitos da pandemia na esteira da reabertura das atividades.

— O comércio e os serviços parecem ter superado o problema da pandemia. Voltaram a um nível de vendas maior. A indústria não teve isso, por conta dos desajustes na cadeia produtiva — pontua Portugal.

Ao explicar o movimento observado na indústria, o economista destaca que, apesar de amargar resultados negativos, o setor segue aquecido neste ano e com demanda. No entanto, problemas no fornecimento de insumos e de matéria-prima ainda freiam o avanço desse setor. Se não fosse esse desequilíbrio, a indústria poderia crescer ainda mais neste ano, segundo o professor.

— O dado frio da produção industrial é um dado ruim no sentido de que você não está aumentando a produção. Mas você não está aumentando não é pela falta de demanda. Demanda tem. O setor não está crescendo porque não consegue achar gente especializada, mas, principalmente, porque não acha peça, não acha componentes. Ou, quando acha, demora para chegar ou é um preço muito maior — explica o professor da UFRGS.

O economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre, Oscar Frank, destaca que o recorte mais recente dos setores em julho também aponta uma inversão no consumo. O aumento das flexibilizações e da circulação de pessoas impulsionou a volta do consumo de serviços em detrimento de bens, segundo o economista-chefe da CDL Porto Alegre:

 

 

— Na pandemia, com o distanciamento social e o fechamento da economia, serviços foram mais afetados. Pessoas ficaram mais em casa e demandaram mais bens. Com a melhora do quadro sanitário e a retomada dos negócios, a gente observa uma realocação de gastos.

Inflação e instabilidade política preocupam

Os especialistas ouvidos por GZH estimam que a inflação acelerada e a instabilidade política que afeta o país acendem um sinal de alerta em relação à continuidade do crescimento da economia. O professor da UFRGS Marcelo Portugal entende que esses fatores preocupam, mas devem atingir a economia no médio e longo prazo:

 

— Isso vai ter efeito no ano que vem. No curto prazo, ainda tem muito crédito e gente recebendo transferência de renda do governo. Tem muito estímulo monetário e fiscal que compensa a instabilidade política e a inflação alta. Na medida em que essas coisas desaparecerem, a economia vai crescer mais devagar.

 

 

Oscar Frank, economista-chefe da CDL Porto Alegre, afirma que os setores, principalmente serviços e comércio, seguirão aquecidos até o fim do ano, com a volta de atividades que foram mais afetados durante o período de maiores restrições.

— A questão é saber se aqueles segmentos que foram mais afetados pela pandemia conseguem suplantar a dificuldade que outros setores têm em gerar avanço — pontua Frank.

Fonte: Gaúcha GZH
No Comments

Sorry, the comment form is closed at this time.