Setores afetados consideram buscar na Câmara melhor solução sobre reoneração da folha de pagamentos

Setores afetados consideram buscar na Câmara melhor solução sobre reoneração da folha de pagamentos

Publicado em 22 de agosto de 2024

A manutenção da medida apenas até o final deste ano foi aprovada no Senado e segue para a Câmara dos Deputados. O governo tem até 11 de setembro para sancionar o projeto de lei, prazo concedido pelo STF.

A manutenção da desoneração da folha de pagamentos integralmente apenas até o final deste ano foi aprovada na terça-feira (20) pelo Senado. O projeto está em linha com o que determina o Supremo Tribunal Federal (STF) quanto à necessidade de encontrar fontes capazes de cobrir as despesas geradas a partir da concessão do benefício para os 17 setores considerados os que mais contratam no país, dentre os quais: a indústria de couros e calçados, os serviços, transportes e a construção civil.

Pela regra – criada em 2011 e renovada periodicamente, ao longo dos anos – as empresas enquadradas podiam optar entre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 20% sobre a folha de pagamentos ou por um recolhimento que ficava entre 1% e 4,5% do faturamento. O dispositivo era considerado por esses segmentos, essencial para a manutenção das contratações, sobretudo, em momentos de crise, pois demanda menos impostos quando as receitas diminuem.

Agora, com base no texto aprovado no Senado, o modelo valerá até o final deste ano. A partir de 2025, tem início a retomada gradual do pagamento da CSLL com um redutor fixado sobre o faturamento dessas empresas.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RS), Claudio Teitelbaum, entende que todo tributo incidente sobre o trabalho é “perverso”, seja para o trabalhador ou para o empregador. Ele lembra que o Brasil é dos poucos países que onera a folha de pagamentos e diz que a medida chega quando o setor já sente os reflexos da falta de mão de obra no mercado.

Na avaliação de Teitelbaum, é preciso entender melhor a medida e, em paralelo às incertezas trazidas pela reforma tributária, encontrar solução que não envolva tornar mais caro o processo de contratação de um profissional.

Vice-presidente de Integração da Federasul, Rafael Goelzer afirma que “taxar o emprego é um equívoco por si só, desincentiva a geração de postos de trabalho e reduz a competitividade das empresas brasileiras”.

O dirigente ainda acrescenta que o governo e o Senado deveriam trabalhar para ampliar os setores abrangidos, e não pelo fim da desoneração:

— Agora vamos atuar para que projeto não passe na Câmara.

Alívio momentâneo e tentativa no Congresso

Da mesma forma, para o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Haroldo Ferreira, trata-se de um “alívio momentâneo para o setor, que estava sofrendo com a insegurança jurídica”. Em nota, ele afirma que “a não oneração dos setores que mais empregam é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do Brasil”

Segundo Ferreira, com a aprovação da transição, será preciso atuar para que a reforma tributária inclua a desoneração para todos os empregos gerados no país, não apenas para os de 17 setores. Isso acontece porque, conforme o dirigente, o projeto aprovado no Senado seguirá para a Câmara dos Deputados e o governo tem até o próximo dia 11 de setembro para sancionar o projeto de lei, prazo concedido pelo STF.

“Na Casa onde o projeto nasceu, no ano passado, temos possibilidades de aperfeiçoamento. Trabalharemos nos próximos dias para isso, já que o projeto aprovado no Senado não foi o acordado inicialmente com o ministro Haddad”, explica Ferreira.

Fonte: Gaúcha GZH
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