Setores gaúchos celebram manutenção da desoneração

Setores gaúchos celebram manutenção da desoneração

Publicado em 29 de fevereiro de 2024

Foi revogado trecho da MP que reonerava 17 setores da economia.

Entidades industriais e empresariais do Rio Grande do Sul e do Brasil avaliaram como positiva a retirada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do trecho da Medida Provisória (MP) que reonerava gradualmente a folha de pagamento de 17 setores da economia. A MP em questão foi imposta no dia 31 de dezembro do ano passado e começaria a valer em abril. Com o passo atrás, os segmentos que mais empregam no País irão continuar a substituir o pagamento de 20% de contribuição previdenciária sobre os salários dos funcionários por uma alíquota que vai de 1% a 4,5% sobre a receita bruta.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) considerou positiva a medida. “A desoneração de segmentos industriais tornou-se essencial para a competitividade das empresas. Portanto, o seu retorno deve ser saudado”, escreveu à reportagem, em nota. A Fiergs disse que monitorou o assunto junto com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), em Brasília. “Acompanhamos sempre no sentido de que avanços como a desoneração não podem retroceder. Além disso, as entidades estadual e nacional acompanham os desdobramentos da Reforma Tributária, que trará um novo cenário para o País”, complementou a nota.

A Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) avaliou que o caminho tomado pelo presidente Lula é lógico e institucional, mas que a entidade seguirá na expectativa do Projeto de Lei para reoneração que o presidente enviará ao Congresso. “A decisão de voltar atrás já era esperada. Sobre o projeto, se essa discussão for democrática com os setores e com o Congresso é bem menos impactante”, disse vice-presidente jurídico da Federasul, Milton Terra Machado. Ele destacou, no entanto, que duas medidas que não foram revogadas ainda preocupam: a limitação de compensação de créditos tributários judiciais e o corte de benefícios do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).

O Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs) achou a medida boa, mas afirmou que ainda é necessário cautela. “Enxergamos como uma vitória importante para o setor de transporte e logística. No entanto, é preciso ainda cautela para conhecermos os detalhes da próxima medida que vem sendo apontada pelo Governo Federal que deverá ser a alternativa a esse modelo.” Na visão da entidade, caso não seja mantido algum tipo de benefício como era proporcionado pela desoneração, o temor é de “risco iminente de perda de postos de trabalho e diminuição da riqueza.”

Fonte: Jornal do Comércio
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