O levantamento mostrou que, dentre as categorias de ocupação, a maior taxa de sindicalização em 2018 foi entre os empregados no setor público, de 25,7% – mais que o dobro da taxa geral. Os empregados no setor privado com carteira assinada tiveram a segunda maior taxa, de 16%.
Já para os trabalhadores por conta própria a taxa de sindicalização foi de 7,6%, enquanto para os empregados no setor privado sem carteira assinada a taxa foi de 4,5%. A menor taxa de sindicalização, no entanto, foi entre os trabalhadores domésticos – apenas 2,8%.
Na série histórica, todas as categorias registraram queda na sindicalização. A mais intensa foi entre os empregadores, que passou de 18,6% em 2012 para 12,3% em 2018 – uma redução de 6,3 pontos percentuais (p.p.), seguida pela dos empregados no setor privado com carteira assinada, que caiu 4,9 p.p. no mesmo período, passando de 20,9% para 16%.

O IBGE destacou que a redução da taxa de sindicalização ocorreu em todas as regiões do país entre 2017 e 2018. Os recuos mais intensos foram observados no Norte e Centro-Oeste, seguido pelo Sudeste. Já a menor queda ocorreu no Nordeste.
Ainda segundo o IBGE, apenas as regiões Nordeste e Sul apresentaram, em 2018, taxa de sindicalização maior que a nacional.
Taxa de sindicalização em 2018 por regiões:
- Nordeste: 14,1%
- Sul: 13,9%
- Sudeste: 12%
- Centro-Oeste: 10,3%
- Norte: 10,1%
“Em todos os níveis de instrução houve queda na taxa de sindicalização, mas quanto maior o nível de instrução, maior era a taxa de sindicalização”, acrescentou o IBGE. Segundo o levantamento, enquanto entre os trabalhadores com ensino fundamental completo e médio incompleto a taxa de sindicalização era de 8,1%, entre aqueles com ensino superior completo ela chegava a 20,3%.
Mais empregadores e conta própria com CNPJ
A pesquisa do IBGE mostrou, também, que aumentou o percentual de trabalhadores por conta própria e de empregadores com registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), chegando a 29%.
O IBGE destacou que o aumento da formalização destas duas categorias foi observado ano a ano entre 2012, quando era de 23,9%, e 2016, quando chegou a 29%. Em 2017 ele recuou para 28,1%, voltando aos 29% em 2018.
A gerente da pesquisa, Adriana Beringuy destacou que, quando separados os conta própria dos empregadores, observa-se que o segundo grupo tem percentual quase quatro vezes maior de formalização, respectivamente de 19,4% e 79,4%.
“Isso já era esperado, porque o trabalhador por conta própria brasileiro é o pequeno empreendedor”, apontou.
A despeito dessa diferença, a pesquisadora ponderou que foi entre os trabalhadores por conta própria que puxou a alta de registro no CNPJ, “principalmente nas atividades de construção, no comércio e agricultura”. O único segmento em que não houve expansão relevante, segundo Adriana, foi o de serviços.
“Por outro lado, quando observamos os empregadores, identificamos que houve uma tendência de queda no registro na indústria, construção e no comércio”, destacou a gerente da pesquisa.

Adriana ressaltou, ainda, que diante da crise no mercado de trabalho, o maior aumento na ocupação se deu entre trabalhadores por conta própria. “O MEI [microempreendedor individual] é uma possibilidade para explicar o aumento do registro no CNPJ entre esses trabalhadores, mas a gente não sabe até que ponto”, disse.
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