09 set Sindicato tentará reverter demissões na Mercedes
Sindicato tentará reverter demissões na Mercedes
Presidente da entidade não acredita que a indústria do ABC absorverá as atividades que a montadora pretende terceirizar.
Ao anunciar, esta semana, o plano de terceirizar parte das atividades da fábrica em São Bernardo do Campo (SP), a direção da Mercedes-Benz acenou com a intenção de dar preferência a fornecedores próximos. Uma tentativa para que essas empresas absorvam os trabalhadores que perderão o emprego na montadora. Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges, no entanto, a solução não é tão simples.
“Não há, por exemplo, fabricantes de eixos dianteiros na região do ABC”, disse Selerges logo após uma assembleia de trabalhadores, na porta da montadora, ontem à tarde, que decidiu paralisar o trabalho até segunda-feira como protesto à decisão da empresa, que pretende eliminar 2,2 mil postos de trabalho ligados às áreas que serão terceirizadas e de não renovar o contrato de outros 1,4 temporários.
O plano de terceirização da Mercedes envolve logística, manutenção, ferramentaria, laboratórios e fabricação de eixos e transmissões de caminhões médios.
Nas negociações com a empresa, que começarão na próxima terça-feira, a direção do sindicato pretende, segundo Selerges, brigar pela manutenção dos empregos dentro da própria Mercedes. O dirigente lembra que, como diz a empresa, o mercado brasileiro estratégico para a o grupo alemão. “É uma marca importante; o presidente da Mercedes não pode dar um cavalo-de-pau dessa forma”.
Em entrevista ao Valor, o presidente da Mercedes no Brasil, Achim Puchert, disse que a terceirização visa reduzir custos e estancar sucessivos prejuízos no país. Segundo o executivo, a operação brasileira não envia dividendos à matriz, na Alemanha, desde 2011.
“Acredito que nesses anos a empresa não tenha dado os resultados esperados, mas no passado, quando outras fábricas, como a dos Estados Unidos, davam prejuízos, era o Brasil que mandava dinheiro para a Alemanha”, destaca.
Para Selerges, a empresa não leva em conta os impactos de abrir mão de mão de obra qualificada ao sabor da “sazonalidade do mercado”. “Uma empresa não pode demitir quando o mercado não vai bem e, depois, voltar a contratar quando a situação melhora. Isso é falta de planejamento”, destaca.
O dirigente reconhece que a “a indústria automobilística está cada vez menor”, como consequência da transformação mundial dos veículos, com o advento da eletrificação, entre outros. Por outro lado, ele desaprova a ideia da terceirização: “Quando bem feito, o trabalho pode ser feito internamente”.
O dirigente acredita, ainda, que “a pressão” pelo enxugamento da operação brasileira surgiu depois que a divisão de caminhões e ônibus da companhia alemã foi separada das áreas de automóveis e vans. O processo de separação global foi concretizado em dezembro de 2021 e fez surgir a Daimler Truck, que passou a reunir todas as marcas de caminhões e ônibus do grupo, incluindo a Mercedes-Benz.
Selerges prevê uma negociação longa e diz que esse tipo de assunto tem que ser tratado “com muita calma”. Não é hora, diz, de falar em demissão, PDV ou terceirização. “É hora de dialogar para encontrar caminhos”. Afinal, diz o dirigente, “o funcionário da montadora alemã “tem orgulho de trabalhar lá”. “No fim de semana, o metalúrgico da Mercedes vai para o shopping e para a missa com o boné da empresa e sente alegria de ver o uniforme pendurado no varal”.
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