15 maio Sobrevivência domina disputa eleitoral na ACRJ
Sobrevivência domina disputa eleitoral na ACRJ
Na plataforma dos candidatos, a busca por um caminho que possa tornar viável a sobrevivência de longo prazo da ACRJ.
Fundada em 1809, a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) passará na terça-feira (16) por uma eleição que pode ser determinante para reerguer a instituição depois de uma crise causada pela pandemia que quase levou à venda da sede da entidade. Disputam o voto de pouco mais de 70 beneméritos e grandes beneméritos o advogado e atual presidente Daniel Homem de Carvalho e o médico Josier Vilar. Na plataforma de ambos, a busca por um caminho que possa tornar viável a sobrevivência de longo prazo da ACRJ.
Os dois convergem ao afirmar que, por ser uma instituição baseada em adesão voluntária e sem recursos compulsórios, a Associação Comercial precisa de uma política constante de atração de sócios e patrocinadores. Neste sentido, ser relevante para os associados é primordial – seja via serviços, seja via eventos. Outra frente defendida por ambos é o rejuvenescimento dos quadros da associação, com a busca por empresários de setores mais dinâmicos e ligados a bairros hoje fora do radar da ACRJ.
“Vivemos a pandemia e não somos uma entidade que tem reserva compulsória. A gente vive do que consegue demonstrar de importância para o setor empresarial e associados”, diz Carvalho. “É uma crise longa”, acrescenta.
E foi essa crise que acabou levando o advogado para a presidência da ACRJ. Vice-presidente jurídico, era o terceiro na linha sucessória e chegou ao cargo depois do pedido de licença do presidente José Antonio do Nascimento Brito, o Josa, e a renúncia do vice-presidente Hélio Ferraz. Quando chegou ao posto, em fevereiro, encontrou uma casa que, no ano anterior tinha registrado um déficit mensal de R$ 70 mil e tinha duras perspectivas.
Carvalho afirma que procurou apostar na realização de eventos e na busca por patrocinadores e que no primeiro quadrimestre deste ano entregou superávit mensal de R$ 162 mil. Ele afirma, no entanto, que considera urgente aumentar o número de associados. A ACRJ tem em seus quadros atualmente 367 integrantes, sendo 192 pessoas físicas e 175 pessoas jurídicas.
No relatório de atividades de março constam cinco novos patrocinadores – Senac, RioGaleão, Fecomércio, Naturgy e Águas do Rio – que juntos garantem receita de R$ 1,5 milhão para a ACRJ.
O respiro nas contas foi o que teria permitido a recompra de 3 mil ações do Banco do Brasil, vendidas no auge da crise da pandemia. A associação tinha – herança que remontava ao século XIX – 67 mil ações do banco e alienou 28 mil desses papéis. Hoje, com a recompra, a entidade tem 42 mil ações do BB na carteira.
A venda das ações foi uma das saídas buscadas pela administração anterior para manter as contas no azul. A decisão mais polêmica foi a tentativa de vender o prédio. Tombado, o Palácio do Comércio foi fundado em 1940 e é um exemplo da arquitetura art déco no centro do Rio, então capital federal. A falta de eventos e a redução da ocupação do edifício levaram a direção a negociar a venda para a Confederação Nacional do Comércio (CNC) por R$ 20 milhões, mas as conversas não agradaram aos beneméritos da ACRJ. Logo depois, o então presidente, José Antonio do Nascimento Brito, pediu licença. A saída subsequente do vice Hélio Ferraz levou Carvalho ao comando.
Ele diz que, no auge da crise, considerou interessante a ideia de vender o prédio para oxigenar as contas, mas o cenário agora é outro. “A crise era bastante séria e a gente não via perspectiva. Hoje eu lhe digo: eu vejo perspectiva”, afirma.
No auge das críticas, um grupo de beneméritos convenceu o médico Josier Vilar a se candidatar. Potiguar formado na Universidade Federal Fluminense e fundador da Pronep, líder do mercado de home care no Brasil, Vilar entende que, caso se eleja, terá de trazer inovação para a ACRJ de forma a garantir a perenidade da instituição.
A ideia do médico, que foi presidente do Conselho de Saúde da associação e é presidente da Iniciativa FIS, que reúne mais de 300 lideranças da saúde, é fazer a associação oferecer uma plataforma de serviços, inspirado na Associação Comercial de São Paulo, que conta com 10 mil associados. O objetivo é usar inteligência artificial dentro do sistema que mostre aos associados como proceder da melhor maneira em tarefas como abrir ou fechar empresas e entender a melhor forma de pagar tributos.
Vilar lembra que o Rio de Janeiro conta com cerca de 650 mil profissionais que são pessoas jurídicas ou microempreendedores individuais (MEI), “que não são empregados nem patrões”. “Eles não estão vinculados nem ao sindicato patronal nem ao dos empregados. O que eu quero é que a Associação Comercial seja uma acolhedora dessas pessoas, com toda a estrutura para dar apoio a essas pessoas”, afirma. Ele quer obter 2 mil novos sócios em 12 meses.
Outra bandeira de Vilar é a maior integração com associações comerciais dos bairros, como Jacarepaguá, Campo Grande, Barra da Tijuca, Ilha do Governador. “São associações de bairros que não se falam e têm na ACRJ referência, mas uma referência distante. Pretendemos trazer esses diretores para serem membros do conselho diretor da associação, potencializar o que temos aqui com o que eles têm”, diz, Vilar também promete trabalhar junto, mas de forma crítica com os governos. “Quero ter uma relação absolutamente respeitosa e próxima dos governos, mas no interesse da atividade empresarial da nossa cidade.”
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