Suécia recua de jornada de trabalho de 6 horas

Suécia recua de jornada de trabalho de 6 horas

Publicado em 5 de janeiro de 2017

Amanda Billner

Bloomberg, de Estocolmo

 

Os suecos que pretendem trabalhar seis horas
por dia acabaram de receber uma má notícia: os custos superam os benefícios.

 

Uma experiência, que durou dois anos, de
redução das horas de trabalho e manutenção dos níveis de salário com
enfermeiros em Svartedalen, uma cada de repouso para idosos na cidade sueca de
Gotemburgo, está chegando ao fim. O resultado foi em boa parte positivo, pois
os enfermeiros passaram a sentir-se mais saudáveis, o que reduziu o número de
licenças por motivo de saúde, e o atendimento aos pacientes melhorou.

 

Mas a cidade não pretende manter essa medida
nem ampliá-la. Para fazê-lo, seria preciso bem mais dinheiro e até subsídios do
governo nacional. Para compensar a redução das horas de trabalho dos 68
enfermeiros na casa de repouso, foi preciso contratar 17 funcionários extras, a
um custo de cerca de US$ 1,3 milhão.

 

“Isso implica, sem dúvida, custo maiores”,
disse Daniel Bernmar, um político local de esquerda responsável por administrar
a assistência a idosos do município. “É muito caro implementar uma redução
generalizada das horas de trabalho em um prazo razoável”. 

 

Essa é apenas a mais recente de uma série de
experiências com jornadas de trabalho mais custas na Suécia, país que se
orgulha de seu generoso Estado de bem-estar social. O teste foi acompanhado em
todo o mundo, e sindicalistas elogiaram a progressiva Suécia como um modelo a
ser seguido de redução de jornada de trabalho.

 

O debate sobre jornada de trabalho está tendo
um lugar central na França, onde o candidato presidencial conservador Françoes
Fillon prometeu acabar com a semana de trabalho de 35 horas, que ele diz ter
“causado muitos danos”.

 

Embora dados históricos mostrem que a duração
média da jornada de trabalho tenha diminuído na Suécia ao longo do século
passado, não há atualmente planos para estabelecer jornada de seis horas em
nível nacional.

 

A contratação de mão de obra adicional pelo
município, porém, ajudou os cofres do governo nacional ao reduzir os custos de
desemprego nos primeiros 18 meses do teste, devido à criação de novas vagas,
diz o relatório provisório. Bernmar gostaria de ver mais estudos sobre se um
dia de trabalho mais curto também poderia resultar em ganhos de longo prazo
para a sociedade como um todo.

 

Um argumento a favor disso é que isso poderia
permitir que as pessoas empregadas em setores intensivos em mão-de-obra
prolongassem sua vida ativa. “Pessoalmente acredito em menos horas de trabalho
por dia como uma solução de longo prazo”, disse ele. “Quanto mais rico nos
tornamos, mais precisamos tirar vantagem dessa riqueza de outras maneiras do
que mediante a compra de um carro mais novo ou de um nível consumo mais
elevado”.

 

 

Valor
Econômico

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