05 abr Talk show sobre diferenças e interesses em negociações coletivas fecha o Congresso Estadual de Relações Sindicais e do Trabalho
Talk show sobre diferenças e interesses em negociações coletivas fecha o Congresso Estadual de Relações Sindicais e do Trabalho
Talk show sobre diferenças
e interesses em negociações coletivas fecha o Congresso Estadual de Relações
Sindicais e do Trabalho
O Congresso Estadual de
Relações Sindicais e do Trabalho, promovido pela Fecomércio-RS, em Torres-RS,
finalizou o ciclo de palestras, debates e discussões com êxito na manhã deste
sábado (02/04). O talk show
“Como respeitar diferenças de tamanho e objetivos das empresas nas negociações
coletivas” trouxe os painelistas João Turella, das
Lojas Renner, Gil Cipelli de
Brito, do Wallmart Brasil, Joel Vieira Dadda,presidente do Sindilojas Litoral Centro e Paulo Kruse,
presidente do Sindilojas Porto Alegre, com a mediação do advogado Flávio Obino. O mediador Obino
rememorou que nos anos 80 ele participou de uma assembleia envolvendo diversos
setores na grande Porto Alegre e, na oportunidade, os supermercadistas foram
depostos da reunião, pois levantavam bandeiras que não iam ao encontro dos
interesses dos demais participantes. A partir desse exemplo, o advogado
ressaltou a importância de que as diferenças e interesses sejam equilibrados.
“É fundamental entender como as entidades podem e devem ser mais eficientes,
além da necessidade delas se qualificarem nesse enfrentamento de equilíbrio
entre as diferenças.”
Em relação às negociações
em empresas de grande porte, Turella apontou
que nas Lojas Renner o primeiro passo para isso acontece dentro da empresa. “O
desafio inicial é convencer os nossos presidentes, CEOs,
diretorias sobre determinados pleitos da classe de trabalhadores que às vezes
estão desconectados com a realidade macroeconômica”, explicou. Ele complementou
que defender o interesse de todos na íntegra é inviável, mas pode-se chegar a
uma pauta que atenda os objetivos do pequeno, do médio e do grande empresário.
“Temos que seguir firmemente, realizando ações em conjunto, nos preparando a
partir de assembleias. Precisamos mostrar para a ‘outra parte’ que estamos
unidos na negociação”, exaltou, expondo que não acredita que seja possível
viver um sem ou outro, ou seja, os grandes não vivem sem os pequenos e
vice-versa.
Nesse sentido, Cipelli de Brito, da Walmart Brasil, explicou que há três pilares
existentes nos processos de negociação. São eles: tempo, informação e poder.
“Os pilares de informação e poder só são adquiridos a partir da união. Se
conseguirmos utilizar esses dois fatores, é possível se apoderar do tempo.
Porém, se nos aproximarmos, trabalharmos a informação e juntarmos nossos
poderes, ao mesmo tempo se apropriando do tempo, ficaremos imbatíveis”, realçou.
Já Dadda, do
Sindilojas Litoral Centro, se posicionou em relação as micro e pequenas
empresas, que hoje representam 98% das organizações do Rio Grande do Sul. “Não
podemos esquecer que são os negócios de pequeno porte que trazem investimento
para as cidades. As grandes não vão aplicar capital no município, apenas irão
formar consumidores a partir da oportunidade de empregos. Se a situação estiver
negativa e a organização enfraquecer economicamente, a companhia simplesmente
vai sair da cidade”, analisou, ressaltando que é preciso dar um atendimento
diferenciado em termos de relações trabalhistas para negócios de todas as
estaturas.
Na
explanação de Paulo Kruse, consenso foi a palavra chave usada pelo presidente
do Sindilojas Porto Alegre. Kruse exaltou
que o Brasil passa por uma série de fatores que levaram o País para uma
depressão moral, ética e de valores. “O Brasil hoje não é o Brasil que eu
nasci. E, em vista disso, eu entendo que um sindicato como o Sindilojas deve
estar preparado e ciente de que congrega estabelecimentos dos mais diferentes
interesses, do pequeno, do médio e do grande porte, e que deve chegar a um
consenso entre eles nas negociações”, salientou, valorizando que é preciso
colocar toda a negociação possível entre os diferentes níveis de empresas e
defender os interesses de todos. “O Brasil precisa de pessoas que vêm os
interesses em comum com os outros e não somente olham para seu umbigo. Tivemos
duas ministras do Tribunal Superior do Trabalho falando que não temos
representatividade. Por isso, vamos exigir essa participação onde é devido, que
é dentro do Ministério do Trabalho lutando por nossos objetivos e propósitos”,
finalizou, enaltecendo que todos devem fazer a sua parte para a construção de
um País melhor.
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