Taxa de desemprego termina 2023 em 7,4%, mas participação preocupa

Taxa de desemprego termina 2023 em 7,4%, mas participação preocupa

Publicado em 1 de fevereiro de 2024

Ano termina com número de desempregados 17,6% menor que em 2022.

O Brasil terminou o último trimestre de 2023 com a taxa de desemprego em 7,4%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados nesta quarta-feira, 31, pelo IBGE. O resultado ficou abaixo do verificado no trimestre móvel anterior, encerrado em novembro (7,5%) e abaixo do resultado de igual período de 2022 (7,9%). Com o desempenho fechado do último mês do ano passado, o desemprego em 2023 encerrou o ano com taxa anual em 7,8%, a menor taxa desde 2014, quando ficou em 7% e foi a menor taxa anual da série histórica.

O IBGE contabilizou 8,5 milhões de desempregados em 2023, número 17,6% inferior ao observado em 2022. Já a população ocupada no mercado de trabalho chegou a 100,7 milhões de pessoas em 2023, recorde da série histórica, iniciada em 2012, ficando 3,8% acima de 2022. Frente à média de 2012 (89,7 milhões de pessoas), houve aumento de 12,3%. O nível da ocupação – percentual de ocupados na população em idade de trabalhar – foi estimado em 57,6% em 2023, 1,6 ponto percentual acima de 2022 (56%). O maior nível da ocupação ocorreu em 2013 (58,3%).

Para economistas, os números confirmam a surpresa positiva do mercado de trabalho ao longo de todo o ano passado, embora uma leitura mais minuciosa aponte que há elementos que reduzem o otimismo, entre eles a taxa de participação na força de trabalho, que aumentou 0,2 ponto percentual, para 62,2%, mas permanece abaixo do nível pré-pandemia – em fevereiro de 2020 estava em 63,4%.

“Não houve surpresa neste resultado. O que surpreendeu foi o que foi construído ao longo do ano, pois pensávamos que seria um ano menos pujante. O choque de commodities no primeiro trimestre e impulso fiscal do governo ajudaram a explicar a resiliência do mercado de trabalho”, comenta o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas Fernando de Holanda Barbosa Filho. “Porém, uma grande parte disso está baseada no fato que a nossa taxa de participação caiu durante a pandemia e ainda não se recuperou. Se todas essas pessoas que deixaram de procurar emprego voltassem a tentar se inserir no mercado de trabalho do dia para a noite, a taxa de desemprego provavelmente estaria na faixa de 9% ou 10%.”

A Pnad indica que a população desalentada, que desistiu de procurar emprego, caiu 13,6% em 2023 (menos 542 mil pessoas), mas ainda é de 3,5 milhões, contingente ainda considerado alto.

“A taxa de participação está rodando mais de 1 ponto percentual abaixo em relação a 2019. Não é um fenômeno novo”, diz a economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal. Para ela, o aumento de benefícios sociais é um dos elementos, mas não o único. “É complexo. Para dizer que são só os benefícios sociais, teria que observar de perto e por mais tempo a taxa de participação nos Estados com maior representação no Bolsa Família”, diz. “Outro elemento que desconfio estar relacionado ao fenômeno é a mudança estrutural do mercado de trabalho. Muitas pessoas estão decidindo parar de trabalhar mais cedo. Nos EUA, por exemplo, vemos um movimento de aposentadorias antecipadas. Pessoas mais jovens também estão se afastando do mercado por opção própria. A verdade é que não há uma explicação única.”

” Pessoas mais jovens também estão se afastando do mercado por opção própria”

Para a pesquisadora do IBGE Adriana Beringuy, a taxa de desemprego em ritmo de queda é fruto de um processo de recuperação de longo prazo do mercado de trabalho brasileiro desde o fim da recessão entre 2015 e 2017 e a recuperação da atividade econômica depois da pandemia. “Foi criando um círculo virtuoso com as atividades econômicas respondendo à volta das cadeias produtivas”, disse. “Tudo isso contribuiu para ambiente propício para que se aumentasse a demanda por trabalhadores, formais ou informais, e criando esse contingente bastante expressivo de 101 milhões de trabalhadores em 2023.”

A Pnad mostrou que a renda média dos trabalhadores avançou 0,8% no trimestre móvel encerrado em dezembro ante o trimestre móvel anterior encerrado em novembro para R$ 3.032. A variação foi considerada como estabilidade pelo IBGE.

Já a massa de rendimentos real habitualmente recebida por pessoas ocupadas no mercado de trabalho brasileiro, em todos os trabalhos, foi de R$ 301,6 bilhões no quarto trimestre, atingindo o terceiro recorde consecutivo depois dos trimestres móveis encerrados em outubro e em novembro.

“O crescimento da renda média não está nada espetacular. Não é algo que parece pressionar custos nem deve ter impacto na inflação. E o aumento da massa [de rendimentos] é normal até porque tivemos um aumento do pessoal ocupado”, observa Fernando de Holanda Barbosa Filho. “Houve de fato recuperação da renda, mas somente esse ano que ela se recuperou no nível pré-pandemia. Mostra um crescimento interessante, mas ainda longe de ser um crescimento de renda muito significativo”, conclui.

Fonte: Valor Econômico
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