Trabalhador qualificado paga R$ 70 mil e ruma aos EUA

Trabalhador qualificado paga R$ 70 mil e ruma aos EUA

Publicado em 8 de abril de 2022

Vistos emitidos pelos EUA em apenas dois meses já quase superam o total de anos anteriores.

A recente onda migratória de brasileiros que vão para os EUA não é composta apenas por trabalhadores menos qualificados. O número de vistos de trabalho para mão de obra mais especializada tem crescido nos últimos anos, em um processo que pode custar pelo menos US$ 15 mil (cerca de R$ 70 mil) por família.

Em 2019, os EUA haviam emitidos para brasileiros 197 vistos EB-1, 263 EB-2 e 274 EB-3. Em 2021, os totais foram para 206, 390, e 124, respectivamente.

O ano de 2022 se encaminha para superar essas cifras. Nos meses de janeiro e fevereiro foram emitidos 104 vistos do tipo EB-1, 489 do tipo EB-2, e 109 do EB-3. Essas três categorias envolvem profissionais qualificados, na visão do governo americano.

Vinícius Bicalho, advogado da Bicalho Consultoria Legal, empresa especializada em migração, conta que no ano passado 83% dos pedidos no seu escritório foram feitos por casais entre 30 e 50 anos de idade, com filhos, que trabalham como profissionais liberais ou empresários. Aqueles que mais procuram o visto são administradores, advogados, engenheiros, profissionais de saúde e de tecnologia da informação.

“Apesar de ainda haver muita imigração ilegal, temos visto um crescente movimento migratório de profissionais bem-sucedidos em suas áreas”, diz Bicalho.

Ele argumenta que mudanças na legislação americana a partir de 2016 criaram ambiente favorável para a imigração de mão de obra mais qualificada.

“Até 2016, a principal modalidade era o visto EB-2, concedido se o empregador comprovasse que não encontrava aquela mão de obra nos EUA ou se o postulante fosse excepcional”, afirma. “Desde então, o governo americano passou a entender que, se o profissional mostrar que pode agregar valor, deve receber o visto. Por isso estão se candidatando mais advogados, médicos, dentistas, engenheiros.”

Para Bicalho, a crise econômica e a falta de perspectiva explicam o movimento atual. “De um lado, há uma economia pujante nos EUA, onde se veem placas de contratação nas ruas e há aumento de vistos concedidos pelo governo americano. De outro, um cenário econômico ainda delicado no Brasil.”

O D4U USA Group, assessoria migratória com escritórios em Washington, Boca-Raton, Orlando, São Paulo, Goiânia e João Pessoa, recebeu no ano passado 1.512 pleitos migratórios, 152% a mais do que em 2020. Conseguiu aprovação de 98% deles.

De outubro a dezembro, os três primeiros meses do ano fiscal de 2022, a empresa viu a procura crescer 50% em relação ao mesmo período de 2021. Foram emitidos 308 vistos para categoria EB-2, e outros 894 estão na lista de espera.

“É alarmante o número de brasileiros detidos na fronteira, no momento em que [isso poderia ser evitado, já que] os EUA estão incentivando a migração legal. Até 2016 víamos muitos vistos e green cards patrocinados por empresas. Mas no fim de 2016 houve jurisprudência que dispensou isso”, diz Eduarda Costa, diretora da D4U USA Group. “Hoje há oportunidades em TI, engenharia, aviação e área da saúde, cuja demanda por médicos, fisioterapeutas e enfermeiros cresceu com a pandemia.”

Ela afirma que há mercado para profissionais com bacharelado e que tenham mais de cinco anos de experiência ou para técnicos com dez anos de experiência. “O importante é conseguir mostrar que esse profissional terá impacto relevante para o país”, diz.

Hoje uma família nuclear gasta entre US$ 15 mil e US$ 20 mil para migrar de maneira legal para os EUA, e o processo pode levar de cinco meses a dois anos para ser concluído, segundo Felipe Alexandre, advogado e CEO da AG Immigration.

Fonte: Valor Econômico
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